Apesar de conter a palavra verdade em seu título, o livro autobiográfico, "Verdade Tropical", lançado em 1997 pelo cantor e compositor baiano Caetano Veloso, não trata exatamente disso. Muito menos daquelas absolutas. Trata-se de versões. Todavia, estas adquirem uma carga de veracidade monumental quanto identificamos seu autor como uma das principais figuras do contexto histórico-cultural do Brasil na década de 1960 e 1970. É exatamente aí que o livro chama à atenção e se impõe como fundamental para a compreensão de um dos períodos mais emblemáticos da sociedade brasileira.

Caetano realiza uma série de discussões, que vão desde o simbolismo em torno das comemorações dos 500 anos do Brasil, que aconteceu no ano 2000, passando por uma tentativa de avaliar os conflituosos anos da década de 1960, culminando com o momento em que decidiu escrever o livro, na década de 1990.

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É preciso, antes de tudo, que o leitor dessa obra entenda que não se trata apenas de uma autobiografia.

Aqueles que partirem para a leitura desse livro esperando por algo próximo de um diário de bordo do artista Caetano Veloso, muito provavelmente, vão chegar ao final frustrados (isso se chegarem mesmo ao fim). No entanto, aqueles que lerem abertos às novas possibilidades de narrativas pessoais, poderão sair dessa experiência em um efervescente estado de êxtase.

É interessante perceber que um músico pode ser capaz de ser tão bem exitoso na produção de um formato cultural diferente daquele que ficou historicamente consolidado. Ao escrever um livro, o músico Caetano Veloso comprovou o seu enorme talento como criador, o que já havia cristalizado como fazedor de canções. Entretanto, em alguns momentos do livro, o texto apareceu rebuscado demais para uma narrativa que se apresentou, sobretudo, simples e objetiva.

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Essa busca do autor em tentar dar ao seu texto uma beleza estilística mais próxima das literaturas que lhe foram referências desde a sua infância, como: Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto e João Guimarães Rosa, dentre outros, apesar de algumas vezes não bem sucedidas, não chega, contudo, a comprometer as informações trazidas, que são, de fato, a maior qualidade do livro, e é o que a obra traz de benefício cultural mais notório para o seu leitor.

No geral, "Verdade Tropical" é muito simples e rico, principalmente, para aqueles mais jovens que não viveram os anos registrados na obra, e que buscam saber mais sobre esse importante período histórico do Brasil. #Música #Livros