Ainda com relação à narrativa de "Verdade Tropical", Caetano Veloso vai muito além de criar um simples panorama histórico a partir da segunda metade do século XX no Brasil. Ele realiza eficientes críticas culturais sobre várias artes em efervescência no país naquela época, como o movimento do Cinema Novo, sobretudo, os filmes de Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe), o Teatro de Arena de Augusto Boal ou o Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa e a literatura experimental de José Agrippino.

Na #Música, as atenções são dadas mais para a Bossa Nova, principalmente, a música de João Gilberto, ídolo que em alguns momentos chega a ser exaltado por Caetano de forma quase que irracional, quase como um fã cego e apaixonado.

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Há considerações também sobre o rock dos anos 50 de Elvis Presley e do novo rock inglês dos anos 60 (Beatles e Rolling Stones), além da música dos Hippies (Jimmy Hendrix e Janis Joplin), e do folk de Bob Dylan.

Com relação à música no Brasil, as observações de Caetano vão desde a música mais popular, com influência da rumba e do bolero cubano, de artistas como Francisco Alves e Orlando Silva, até os "choques" entre a Jovem Guarda (Roberto, Erasmo, Wanderleia) e a turma "cabeça" da nova MPB (Elis Regina, Chico Buarque, Geraldo Vandré), além do próprio Tropicalismo, movimento encabeçado pelo autor.

Muito por conta dessa amplitude de temas abordados, figuras fundamentais desse período são colocadas no livro como personagens que ajudam Caetano a contar a sua história, que no âmbito geral, acaba sendo uma história sobre todos daquela geração: Gal Costa, Tom Zé, Torquato Neto, Chico Buarque, Raul Seixas, Capinam, Gianfrancesco Guarnieri, Edu Lobo, Nara Leão, Rita Lee, Waly Salomão, Geraldo Vandré, Paulinho da Viola, Rogério Duarte, Elis Regina, Maria Bethânia e tantos outros que são inseridos na obra com muita responsabilidade, como reconhecimento do autor da importância de cada uma dessas personalidades nesse momento crucial da história cultural desse país.

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Outra marca essencial desse livro é a reconstrução dos fatos realizada por Caetano, desde a sua adolescência nos anos 50, vivida no interior da Bahia, mas precisamente em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, passando pela sua adolescência na Salvador do começo dos anos 60, até a sua mudança para o Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira de músico e instaurou o movimento tropicalista.

É exatamente aqui que o livro alcança o seu melhor momento. A narrativa em torno da formação da Tropicália esclarece de forma bastante segura como esse movimento vanguardista no país, de influência pop anglo-saxônica, foi possível de acontecer em um momento de extremo nacionalismo ufanista e anti-imperialista, leia anti-americanista, da história do Brasil. #Livros