Para comemorar os 450 anos do Rio de Janeiro, o Instituto Moreira Salles organizou a exposição 'Rio: Primeiras poses' que conta com 450 imagens da cidade entre 1840 e 1930. As fotos são tanto de grandes nomes da fotografia brasileira, como é o caso de Marc Ferrez e Augusto Malta, quanto de fotógrafos desconhecidos ou amadores.

Em entrevista à jornalista Mona Dorf, o curador Sergio Burgi contou que a exposição trabalha, principalmente, com um recorte temporal. 'É um período que cobre todo o Segundo Reinado, durante o qual D. Pedro II permaneceu 50 anos a frente do governo brasileiro e as quatro décadas da República Velha', acrescentou.

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E dentre os fotógrafos reunidos na mostra, Marc Ferrez é o único a atravessar os dois séculos. Em meados dos anos 1870, Ferrez passa a ser o grande nome da fotografia de paisagem e registro urbano no Rio de Janeiro. Ele consolida seu estilo de fotografia entre as décadas de 1880 e 1910, sendo exclusivo no país em realizar imagens com câmeras panorâmicas de grande formato no Rio de Janeiro. A exposição exibe um modelo dessa câmera. Sua última e grande obra foi o Álbum da Avenida Central.

A exposição também apresenta as reformas urbanas no início do século XX, na administração de Pereira Passos, como a construção da Avenida Central, a inauguração da Avenida Beira Mar em direção à Glória, ao Catete, Flamengo e Botafogo, as obras do porto do Rio de Janeiro e do Canal do Mangue. Augusto Malta foi o grande nome por trás dessas fotos.

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Trabalhando para prefeitura, documentou tanto a cidade como os habitante durante o famoso bota-abaixo, apelido para as reformas do Rio de Janeiro.

Com esses documentos, é possível acompanhar a transformação da cena urbana e refletir sobre a atual situação do Rio, pois a cidade de hoje é marcada pelas mudanças socioeconômicas do país nessa época. O avanço populacional à zonal sul, a demolição dos cortiços e a estética da principal avenida são indicadores dos hábitos culturais do carioca que permanecem até hoje. O próprio transtorno com as obras é fruto do mal planejamento do bota-abaixo. 'A História se repete, parece que o bota-abaixo nunca acabou, de fato' afirmou Márcia Lima, 32, arquiteta que estava passeando com a mãe pela exposição. 'No papel é tudo lindo, era tudo espelhado no modelo francês, que é exemplo de arquitetura até hoje, mas o Rio não é Paris, tem que ter planejamento', argumentou Márcia,'é como querer colocar um motor de fusca em uma Ferrari'.

Rio: primeiras poses, visões da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930) está em exibição até o dia 31 de dezembro, todos os dias, exceto segunda, das 11h até 20h. É gratuito. #Rio Cultura