Durante o período da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) vários escritores, jornalistas e artistas foram censurados no país. De acordo com as alegações dos militares, determinados conteúdos feriam a moral e os bons costumes. Em 1970, a censura oficial, executada pelo Serviço de Censura de Diversões Públicas, começou a avaliar #Livros e revistas.

Cassandra Rios, pseudônimo de Odete Rios, foi a escritora mais censurada pelos militares. Seus livros falavam da sexualidade das mulheres, abordando temas relacionados ao desejo sexual e a homossexualidade feminina. Sua #Literatura de cunho erótico foi classificada como pornográfica.

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Essa era uma das justificativas usadas pelos censores para proibir a circulação de seus livros. Dos seus 36 livros publicados, até 1976, 33 foram apreendidos e proibidos pelo Governo.

A autora era um fenômeno de vendas, chegando a vender mais de 300 mil livros por ano. Entretanto, além da perseguição dos militares, a sua literatura também era criticada por muitos intelectuais, devido a seu estilo popular.

Em seu livro "Repressão e resistência - Censura a livros na Ditadura Militar", Sandra Reimão apresenta o parecer do censor sobre o livro "Copabacana Posto 6 - A madrastra", de Cassandra: "a obra traz mensagem negativa, psicologicamente falsa em certos aspectos de relacionamento, nociva e deprimente, principalmente pela conquista lésbica da heroína junto à madrasta e o duplo suicídio final".

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As informações são do 'Acervo O GLOBO'.

Hanna Korich, diretora do documentário "Cassandra Rios: a Safo de Perdizez", em entrevista ao Blogueiras Feministas, destaca a ousadia da escritora ao abordar assuntos que eram grandes tabus. Para Hanna, a censura perseguia a escritora por ela ser mulher, lésbica e ter um imenso número de cópias comercializadas.

Dentre as obras censuradas de Cassandra Rios está o seu primeiro livro: "Volúpia do Pecado", publicado quando ela tinha apenas 16 anos, em 1948. Após a proibição de seus livros, a autora adotou dois pseudônimos masculinos: Clarence Rivier e Oliver Rivers. O estilo erótico permaneceu o mesmo, porém, tratava de casais heterossexuais. Por esse motivo, os livros não tiveram problema com a censura.

Vítima de câncer, Cassandra morreu em São Paulo no dia 8 de março de 2002 (Dia Internacional da Mulher).