Em 2008, com 18 primaveras, a britânica Laura Marling mostrava as caretas para o mundo com o Alas I Cannot Swim. Um álbum com arranjos simples, a voz perfeitamente clara e uma pegada bem pessoal.

As letras eram profundas e abordavam temas de angústia jovem como incompreensão do mundo e desilusão amorosa. Também, o que esperar de uma adolescente que nem duas décadas de vida tinha? Certamente que amadureça. E amadureceu, não só nas letras, mas musicalmente.

O I Speak Because I Can, de 2010, tem um som mais trabalhado que se adapta aos temas das músicas, que iam de amor até a morte. Nick Cave aparece como comparação óbvia.

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Em 2011, Marling resolveu mudar seus status de relacionamento sério para relacionamento aberto com folk. Alguns fãs tomaram as dores e se sentiram traídos com A Creature I Don't Know. E realmente, tinha algo ali que não caía bem: o álbum tava disperso. Se na primeira faixa, The Muse, Laura Marling fazia um pop melódico à la Fiona Apple, na terceira sem qualquer explicação criava um folk-blues cantado e falado meio Leonard Cohen. Claro que são ótimas referências, mas ali isoladas não faziam qualquer sentido.

Já 2013, com Once I Was An Eagle, ela rompe completamente com o folk e lança seu projeto mais ambicioso: um disco conceitual, ele gira em torno de um rancor amoroso que aparece em diversas formas, sombrio, raivoso ou sutil. Cada faixa parece contar uma pequena história.

E falando de pequenas histórias, 2015 traz Short Movie, quinto álbum de Marling.

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Seu lado experimental volta a se encontrar com suas raízes do folk, mas agora em um trabalho muito mais consistente e focado.

Faixas construídas com guitarra como a vibrante False Hope dialogam perfeitamente bem com as mais acústicas como Strange. Nessa capacidade de dialogar tanto com uma habilidade na guitarra quanto com seu domínio do folk inglês, Laura Marling afirma sua independência artística.

Com versos como "love seems to be some kind of trickery/some great thing, to which I am a mystery", de Don't Let Me Bring You Down, a cantora garante sua veia poética e não deixa dúvidas de que é uma das compositoras mais expressivas, atualmente.

Short Movie é menos impactante e mais acessível que seu anterior Once I Was An Eagle, mas ao passo que destaca a habilidade da britânica em unir tons e estruturas do folk com a guitarra, se sustenta como um grande disco na carreira de Laura Marling. #Entretenimento #Música

Escute: False Hope, I Feel Your Love.