Do lado de fora do #Teatro Oi Casa Grande, localizado no bairro do Leblon, zona sul carioca, aglomeram-se dezenas de senhoras maquiadas e senhores distintos. Os cabelos brancos ou tingidos denunciam o cenário: muitos já passaram dos bons tempos em que uma abaixadinha ocasional para buscar a chave do carro que caiu no chão não era uma tarefa árdua. Ou quem sabe subir uma escada não os faça bufar de estafa. Ambas as situações são satirizadas no espetáculo ao qual se destina essa crítica, "BarbarIdade", produzida pela Aventura Entetenimento dentro do projeto "Uma Aventura Brasileira", que traz ao público montagens com textos nacionais.

A primeira temporada conta com a estrela da TV Susana Vieira.

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Ao seu lado, um elenco de mais 17 atores, encabeçados por Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira e Guilherme Leme Garcia. "BarbarIdade" segue em cartaz no Rio até o dia 14 de junho.

Para quem não se lembra, Susana Vieira passou por um momento constrangedor na última quinta-feira (26), quando tropeçou durante uma de suas apresentações no musical.

Susana vive Daniela, que contrata três grandes autores brasileiros - Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura - para descrever a experiência de envelhecer. Daniela tem gênio forte e detesta ser contrariada. Não gosta de pensar que a velhice seja um aglomerado de impedimentos físicos, cabelos brancos, pegar ônibus de graça ou qualquer outro clichê.

"BarbaIdade" funciona muito bem, trabalhando a metalinguagem do teatro com o musical.

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As canções não cansam, apesar de parecer que as estrelas da peça desafinam muito mais do que os atores com poucas falas, que garantem ao espectador do teatro notas altas e um show de interpretação dramática. Osmar Prado e Vera Farjado são o casal da vez, em que os desencontros do tempo renderam uma dor incessante e as cenas mais tristes são aproveitadas para os dois. Ambos interpretam canções de Frank Sinatra e outras versões. Susana também canta logo no começo do show "Maquiagem", que remonta a letra de Cazuza e Cássia Eller para abordar os dilemas de uma perua que não quer envelhecer.

TEXTO E DIREÇÃO

O dramaturgo Rodrigo Nogueira, autor de "Rock in Rio, o musical" e "Chacrinha, o musical" ao lado de Pedro Bial, criou uma história que estabelece um paralelo entre a liberdade que se conquista na terceira idade e aquela que se vivencia quando o ator está em cima do palco.

A direção e coreografia são assinadas por Alonso Barros. Em entrevista para o Blasting News, ele falou um pouco sobre o trabalho de adequar o envelhecer com a coreografia e a música.

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"Fazer isso é mais delicado. Ainda mais por trabalhar com atores mais velhos é preciso ter outro approach técnico. Tudo que eu propus eles aprovaram. E estavam motivados a entrar no processo do movimento que é necessário ao musical. Como a história e as músicas são bem ecléticas é um trabalho que se tem muito cuidado para contar a história e não perder o foco do enredo", diz ele.

Susana Vieira, apesar de afastada do teatro, atua desde os 10 anos de idade. Contudo, sua passagem pelos palcos foi breve se comparada com seu longo currículo em televisão.

"Nós sabemos que a experiência dela é mais de televisão do que teatro e nunca havia feito um musical desse porte. Ela precisou se adaptar e nunca é fácil, mas se abriu pra isso. Teve um momento em que ela ficou tão alucinada com a movimentação atrás do palco que parou e falou: "Tem outra peça aqui atrás!", brinca.

SERVIÇO

Dias e horários: 5ª a sábado, às 21h e domingo, às 19h

Preço: de R$60 a R$ 190

Duração: 2h

Classificação: Livre