Antes, quero abrir um parêntese já que não entendi por que diabos definem esse CD como indie rock. É uma #Música comercial, um pop suave bem construído entre um compositor e seu piano. Alguém chamava Elton John de indie? Randy Newman já saiu em alguma lista de melhores do indie rock? Além do mais, só na produção desse álbum tem Chet "JR" White, ex-Girls; Patrick Carney, baterista do Black Keys; e Ariel Rechtshaid, que já trabalhou com Usher, Madonna, Brandon Flowers, Beyoncè, entre outros. Gente que sabe chegar ao topo da Billboard está por trás desse disco. Tobias Jesso Jr. vai ser bastante famoso logo, logo. Qual a necessidade de usar a "etiqueta indie rock"? Vender mais rápido? Certo, fechemos o parêntese.

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Sabe aquela música que seu pai chamava de sessão 'mela-cueca', ou seja aquela oportunidade no baile de dançar agarradinho com o broto? Goon, novo álbum de Tobias Jesso Jr. é assim. Uma balada introspectiva de lamentos entre um homem e seu piano. Mais década de 70, impossível. E esse ano cresceu uma onda de artistas que compõe e cantam à la anos 70, ou os 70s singer-songwriters. Father John Misty, Nathalie Prass e Jessica Pratt são exemplos de artistas que vêm ganhando espaço com suas melodias suaves, letras introspectivas e uma voz mais aconchegante que seu travesseiro. Seus trabalhos são atemporais, Father John Misty é exemplo máximo disso. Seus acordes são bem arranjados e suas letras dissecam cada pensamento como se ele tivesse um mapa da sua cabeça. Tobias Jesso Jr.

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não tem essa complexidade, as letras parecem ter sido escritas após um término de namoro. Seria meio Selena Gomez se a música não fosse boa. Felizmente, ela é.

O grande diferencial de Tobias Jesso Jr. está na sua voz. A suavidade, o envolvimento e a capacidade interpretativa fazem de Jesso um excelente cantor. Isso somado aos acordes de guitarra, que criam uma empatia, a bateria, que cria uma balada e o piano, que constrói uma grandeza dão o tom a um arranjo bonito e confortável. Aquele tipo de conforto que se ouve em muitas músicas dos Beatles. Can We Still Be Friends, por exemplo, parece ter saído de um rascunho do Paul McCartney. E uma amostra da força da voz de Jesso é How Could You Babe, a letra fala sobre um coração partido perdido na grande cidade, com grandes sonhos e tentando descobrir o que deu errado com sua namorada. Nada de novo. Mas deixa a música tocar, as simples notas do piano vão te conduzir ao poder de um refrão criado pela voz do rapaz.

Para alguém que escreve sobre situações simples e cotidianas, Tobias Jesso Jr remete a um gênero antigo e de grandes artistas. É um excelente cantor, mas no piano tem uma simplicidade excessiva para o tipo de música que quer resgatar. Quando comparado com as suas influências diretas, como Harry Nilsson ou um exemplo mais recente Father John Misty, Jesso não surpreende.

Escute: How Could You Babe e Tell the Truth. #Entretenimento