Pesquisadores da Universidade de Jaén, na Espanha, descobriram esta semana o esqueleto de uma mulher egípcia adulta com 4.200 anos de idade e que eles afirmam ter tido câncer de mama. Se confirmado este fato, o achado será um dos mais antigos vestígios da doença conhecidos até hoje.

Nas palavras do ministro de Antiguidades egípcio, Mamdouh el-Damaty, mulheres viveram até o fim do Império Antigo (durante a sexta dinastia), na cidade de Elefantina, localizada na parte sul do país. Aparentemente, e de acordo com investigdadores, era um aristocrata cujos restos foram descobertos na necrópole de Qubbet el-Hawa, a oeste da cidade do sul de Aswan.

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No que diz respeito aos restos, eles estão em boas condições, o que permitiu que a doença fosse encontrada com mais facilidade. O estudo dos restos mostra os efeitos destrutivos típicos causados pela metástase do câncer da mama.

É uma doença moderna?

Apesar de ser uma das principais causas de morte em todo o mundo hoje, o câncer é praticamente ausente do registro arqueológico comparado a outras doenças. Isso fez surgir a ideia de que poderia ser atribuído, principalmente, ao estilo de vida moderno e a maior expectativa de vida, a grande incidência desta doença.

Mas a descoberta, juntamente com as evidências encontradas no ano passado por pesquisadores britânicos de câncer metastático para o esqueleto de 3.000 anos em um túmulo localizado no atual Sudão, sugere que a doença já estava presente no vale do Nilo , nos tempos antigos.

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História de milênios

Câncer tem existido por toda a #História humana. Em 1600 aC, no Egito, Edwin Smith Papyrus já descrevia o câncer de mama. Hipócrates (cerca de 460 aC - 370 aC) narrou os vários tipos de câncer, referindo-se a eles com a palavra grega karkinos (caranguejo ou lagosta). Este nome vem da aparência da superfície de corte de um tumor maligno sólido, com as veias se estendendo por todos os lados como o animal caranguejo tem seus pés, de onde deriva seu nome. O câncer de mama é assim chamado por causa da semelhança imaginária a um caranguejo dado pelos prolongamentos laterais do tumor e as veias dilatadas adjacentes. Galen (2º século dC) discordou com o uso de cirurgia e recomendava purgativos. Esta recomendação foi adotada em grande parte por 1000 anos.