Se você ainda não foi ao CCBB ver a exposição de um dos artistas visuais reconhecidamente mais importantes do século 20, não deixe de ir. Lá, você verá não só algumas de suas obras mais significativas, como compreenderá o universo em que ele viveu e como surgiu o abstracionismo.

Tudo começa com um ponto, segundo o próprio Kandinsky, e esse ponto abre um universo infinito para a arte, que, depois dele, nada se limitará mais ao figurativo. Ponto, linha e plano são os princípios estruturais da criação, para Kandinsky.

Nessa exposição, o público percebe que a liberdade proposta pelo abstracionismo começa cedo, quando depois de formado em Direito, o artista parte para o norte da Rússia a trabalho e se depara com povos que cultivam hábitos ancestrais, uma rica arte popular e o xamanismo, que o impressionam e influenciam. Os três casamentos de Kandinsky também atestam a sua liberdade, que parecia fazer parte da sua natureza. Alguns vídeos narram toda a trajetória do artista , desde a juventude, passando pela formação, as viagens, os povos ancestrais, com seus costumes, as suas mulheres, Anna Chimyakina, Gabriele Münter e Nina Nikolayevna Andreevskaya, as casas em que morou e os amigos, dentre os quais o compositor Shoenberg, inventor do dodecafonismo, com quem conviveu bastante e certamente teve grande afinidade artística, pois o dodecafonismo rompia as barreiras sonoras, como o abstracionismo rompia as barreiras visuais.

É interessante notar que seus três casamentos coincidem com fases bem distintas da sua vida, sendo o primeiro com uma colega de faculdade, que se casou com o Kandinsky advogado e se separou dele quando se tornou exclusivamente artista, aos trinta anos, e se mudou para Munique, na Alemanha. O segundo (não oficial) foi com uma artista alemã que viu nele um grande mestre e pretendia viver com ele até o fim da vida em uma casa em Murnau, nos Alpes da Bavária, separando-se por ocasião da Primeira Guerra Mundial, quando ela voltou para Munique e ele para Moscou, e o terceiro, em 1917, com uma jovem russa, com quem teve um filho, que morreu ainda criança, e com quem viveu até o fim da vida em 1944.

As obras expostas pertencem em sua maioria ao Museu Estatal Russo em São Petersburgo e a oito museus de pequenas cidades russas, assim como a coleções particulares.  #Entretenimento