Em meados dos anos 60, Hunter S. Thompson retornava aos Estados Unidos após uma temporada de viagens por 12 países da América do Sul, onde teve contado direto com a desigualdade social e econômica que sufocava a maioria dessas populações na época, inclusive, no Brasil, por onde Thompson passou em 1963.

Segundo especialistas, essa experiência mudou radicalmente a personalidade do autor, o que refletiu, significativamente, para as experimentações estilísticas em sua narrativa e escrita. As mudanças culminaram para o surgimento do gênero que passou a ser chamado por Jornalismo Gonzo, uma espécie de filho mais rebelde, e desbocado, do new journalism, ou jornalismo literário.

Publicidade
Publicidade

Nesse período, Hunter S. Thompson recebeu o convite da revista Sports Illustrated para cobrir uma corrida de motocross no deserto de Nevada, mas, ao invés disso, ele gastou todo o dinheiro recebido em drogas e álcool, enviando uma série de escritos sobre suas loucas aventuras em Las Vegas. Os textos eram absolutamente indecifráveis para os editores da revista, que, obviamente, não publicou.

A série acabou sendo publicada por outra revista, a Rolling Stone, referência da cultura pop e da contracultura nos Estados Unidos e famosa em todo o mundo. Os textos obteve enorme sucesso entre hippies, roqueiros, intelectuais, poetas, e demais vanguardistas do período, sendo publicado em livro no ano de 1971, com o título: "Medo e Delírio em Las Vegas" ("Fear and Loathing in Las Vegas").

O Estilo Gonzo 

A obra consolidou o estilo gonzo de romper com as barreiras entre ficção e realidade.

Publicidade

O escritor se mistura na história, que nasce de forma livre, quase que instantaneamente, sem dono, sem grades e sem lei. O livro foi adaptado para o cinema em 1998, por Terry Gillam, com Johnny Deep, no papel de Thompson, e Benício Del Toro, no papel do advogado samoano que acompanhou o autor em suas viagens alucinadas por Las Vegas.

O livro é uma excelente dica para os leitores que buscam por uma leitura inovadora, sem rebuscamentos desnecessários, de ritmo rápido e contagiante, com um leve teor crítico e idealista, regado a sexo, drogas, bebidas e muitos palavrões, para deixar qualquer puritano enfurecido.

Hunter S. Thompson se matou em 2005, aos 57 anos, com um tiro na cabeça. No entanto, sua obra ainda vive, conquistando, a cada ano, novos leitores, sobretudo, estudantes de jornalismo que buscam por uma maior liberdade de criação. #Livros #Literatura