Quando um jovem hoje ouve falar em bolero, quase que imediatamente ele associa a um tipo de #Música exacerbadamente romântica, com letras piegas e do tempo dos seus avós. Até aí eles não estão errados. O erro se inicia quando esses comumente generalizam o bolero com outros gêneros musicais românticos que por aqui nasceram. Os principais são a seresta e a música que ficou rotulada como brega.

Para começar a desembaraçar essa generalização, é preciso falar de Pedro Vargas, considerado o maior cantor mexicano de todos os tempos e que teve seu auge nos anos 40. Vargas difundiu por todo o mundo o bolero mexicano. Esse gênero chegou ao Brasil pela região norte, devido a sua proximidade com a região da América Central e Caribe.

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Nos anos 50, o bolero mexicano se torna uma das músicas mais executadas pelas rádios brasileiras, juntamente com outro tipo de bolero que chegou por aqui nessa mesma década, o cubano.

Diferente da mexicana, a versão cubana apresenta um ritmo mais sensual e dançante, no entanto, ainda mantendo as letras românticas. Um dos principais representantes desse gênero é o grupo: Românticos de Cuba. Ambos os estilos de boleros vão começar a gerar frutos no Brasil. Nasce nesse período uma nova música, que assim como o samba e o forró, surgiu primeiro como uma festa para depois passar a batizar também o ritmo. Trata-se da seresta.

As derivações do bolero 

Bastante influenciados por Pedro Vargas, os músicos seresteiros mantiveram as letras de amor do ídolo mexicano e acrescentaram ao ritmo elementos de música regional, se consolidando entre as classes populares no Brasil.

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Dentre os principais grupos de serestas que embalaram as noites de muitos casais brasileiros, e embalam até hoje em muitas cidades do interior, pode se destacar o grupo: Violão de Ouro.

No começo dos anos 70, surge outro ritmo também derivado dessa influência do bolero no Brasil. Essa música vai, devido ao seu forte lirismo, ser taxada de brega ou cafona pela "intelectualidade" nacional em efervescente militância política na época. Desde o começo dos anos 2000, esse rótulo passou a ser revisto por muitos críticos de música que criaram o termo: música romântica dos anos 70. Uma característica marcante dessa geração é o fato de muitos deles terem sido perseguidos pela ditadura militar, como por exemplo: Odair José, que em 1973 teve sua canção "Pare de tomar a pílula" censurada pelos militares.

Esse período delicado da história da música popular brasileira foi muito bem registrado no livro "Eu não sou cachorro não", de Paulo César Araújo. Além de Odair, outros importantes músicos do gênero são: Waldick Soriano, Aguinaldo Timóteo, Lindomar Castilho, Dom & Ravel, Evaldo Braga, Wando, Reginaldo Rossi, dentre outros. É notório que o bolero, a seresta e o brega têm suas semelhanças, mas não é a mesma coisa. Agora, se quiserem continuar generalizando, podem chamá-los de verdadeira música popular brasileira, pois, é feita pelo povo, para o povo, e de ótimo gosto.