A gama de talento e criatividade é marca fundamental da geração de poetas brasileiros da década de 1970, que ficou conhecida como marginal. Muita coragem fez com que esses poetas conseguissem uma autonomia radical diante dos escritores canônicos da #Literatura brasileira, produzindo e espalhando seus versos, mesmo sem o apoio das grandes editoras de #Livros do país (eles imprimiam seus textos em mimeógrafos e os vendiam em portas de teatro, cinema, bares e outros espaços culturais, originando daí o outro rótulo que batiza essa geração: Poesia Mimeógrafo).

Além de enfrentar a enorme sombra dos canônicos, os marginais tiveram que encarar também uma sombra ainda maior: A ditadura militar.

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A partir dos anos 70, quando os primeiros poetas marginais começam a despontar, dentre eles Waly Salomão e Torquato Neto, a repressão se torna mais agressiva e totalitária, devido, sobretudo, a implementação do AI 5 (ato institucional cinco), de 13 de dezembro de 1968, que fortaleceu a censura no Brasil, controlando qualquer informação escrita, falada e cantada. Quando começaram os "anos de chumbo", os poetas marginais sofreram bastante repressão, atravessando toda a década publicando seus versos à margem dos grandes espaços canônicos da literatura brasileira.

Diferente da maioria dos períodos literários anteriores, nos quais muitos escritores compartilhavam de mesmas influências e ideais, esses poetas eram bem diferentes uns dos outros, juntando em um só "grito", o existencialismo de Ana Cristina Cesar, o vanguardismo de Torquato Neto, a sátira desbocada de Waly Salomão, a rebeldia de Cacaso, o erotismo de Leila Míccolis e Olga Savary, o escracho louco de Charles, a liberdade linguística de Paulo Leminski e a atitude crítica de Chacal e Chico Alvim, dentre outros.

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Muitos desses poetas foram eternizados por Heloisa Buarque de Holanda, em seu livro: 26 poetas hoje (reunião de poemas brasileiros dos anos 70). Segundo a autora, Poesia Marginal é o último rótulo definitivo quando se fala em poesia no Brasil.

O termo marginal se originou não apenas do fato desses poetas terem ficado à margem das grandes editoras de livros, e, portanto, do cânone literário brasileiro, mas também da maneira original como eles enfrentaram esse obstáculo, articulando um movimento, no qual, foi possível existir como escritor sem precisar estar vinculado a nada além de sua própria atitude de poetar e disseminar seus versos. Hoje é muito mais fácil escrever poemas por aí, muito por conta do avanço dos blogs, mas a atitude inicial, buscando essa conquista, foi tomada, principalmente, por esses grandes poetas, que com muita paixão e sangue, sobreviveram àqueles que ditam o que é literatura nesse país.