O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, ou Masp, como é conhecido, é um marco arquitetônico na Avenida Paulista, com projeto de Lina Bo Bardi, e vale uma visita para conferir seu acervo, organizado em várias mostras. Uma delas, "Deuses e Madonas - A arte do sagrado" reúne quarenta obras-primas, principalmente dos séculos 14 ao 19, focando a visão do sagrado no Ocidente, com curadoria de Teixeira Coelho.

Para destacar o sagrado, com seu pensamento não racional e intuitivo, a curadoria procurou mostrar a mística dessa arte desde os tempos da Grécia clássica até o cristianismo, com seus personagens humanos e sensoriais. As madonas dominam a arte ocidental cristã e são representadas de várias formas por grandes mestres, como Botticelli, com o quadro "Virgem com o menino e São João Batista criança", de cerca de 1490, e El Greco, com a obra "Anunciação", de 1600.

Além dessas obras e de muitas outras, de Tintoretto e Delacroix, entre outros, está o famoso quadro de "São Jerônimo penitente no deserto", de Andrea Mantegna, de 1448-1451, restaurado para participar de uma grande retrospectiva sobre esse pintor em 2008 no Museu do Louvre, em Paris.

Outra exposição com obras do acervo é "Passagens por Paris - Arte moderna na capital do século 19" , com curadoria de Teixeira Coelho e Denise Molino. Essa exposição interage com a que a sucede na sala seguinte "O triunfo do detalhe (e depois, nada)". A primeira é definida como "um passeio pela arte moderna", com obras produzidas entre 1866 e 1948, por artistas como Degas, Manet, Gauguin, Cézanne, Van Gogh, Renoir, Matisse, Picasso e Portinari, entre outros, que viveram e trabalharam em Paris em algum momento de suas vidas.

"O triunfo do detalhe (e depois, nada)" mostra obras de Diego Velázques, Hieronimus Bosch, Franz Hals, Rembrandt, entre outros, e um quadro de um discípulo do pintor flamengo Quentim Metsys (1466-1530), intitulado "O casamento desigual", que mostra bem o valor dos detalhes, com os olhares dos personagens que cercam os noivos e que parecem criticar um deles. Em outras obras, os detalhes são sorrisos, roupas, relógios e a infinidade de objetos dispostos por Hieronimus Bosch no seu cenário para "As tentações de Santo Antão".

Uma reprodução do quadro " O oficial sentado" (de 1581-85), de Franz Hals, que faz parte dessa exposição, foi exposto em uma estação do Metrô na Avenida Paulista em 2010 e foi pichado, mostrando que a arte costuma provocar reações no público, ainda que negativas, como nesse caso, raramente deixando as pessoas indiferentes.

A grande visitação do museu, que tem entrada grátis às terças-feiras, atesta que as pessoas apreciam e precisam da arte, pois nem só de política se vive. As exposições ficam até junho .