Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa, como é dita hoje, comemorava o equinócio de primavera e o inicio da fase fértil do pastoreio. Uma celebração tradicional que remonta tempos antigos, antes dos hebreus e dos primeiros cristãos.

Naquela época (sec XI), mediante a expansão do cristianismo, muitas culturas e tradições foram sendo incorporadas ou pouco a pouco descaracterizadas sob vedações e alterações simbólicas. A expressão "Cristianismo Celta", como representação desta moldagem, denota o primeiro contato do cristianismo com a cultura celta sobre solo irlandês, terra que abrigaria a cultura pagã virgem por séculos.

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A comemoração

Em algumas tradições, os povos pagãos cultuavam Deusas como Airmid (na Irlanda) ou Atégina para os lusitanos. N'outras, a chegada da primavera era dedicada a Eostre (ou Ostera, no alemão antigo) Deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, nórdica e germânica.

Também conhecida como "Deusa da Aurora", dera nome ao Sabbat Pagão que celebra o renascimento: a Ostara, comemorado no hemisfério norte nos dias 21-22 de março e no hemisfério sul nos dias 21-22 de setembro. Na primavera, lebres e ovos coloridos eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. Até hoje, povos de origem celta tem em suas comemorações os vilarejos e casas enfeitadas com flores de cores vivas e ovos decorados.

Muito semelhante à essência da páscoa que conhecemos hoje, não? Exato.

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Destes cultos pagãos se originaria a conhecida "Easter", em inglês, ou "Ostern", em alemão, que seria absorvida e incorporada pelas investidas judaico-cristãs. Posteriormente, a igreja católica acabaria por substituir as festividades pagãs de Ostara pela Páscoa, não sem absorver muitos de seus costumes, o que alguns historiadores denominam descaracterização cultural.

Algumas #Curiosidades

É desafiador o estudo de um povo da Antiguidade, seus valores e conceitos em geral. No caso dos Celtas, esta dificuldade se dá pela presença mínima de registros históricos datados do período que precede o contato com o cristianismo. O que se tem do período antecessor são relatos das chamadas Fontes Clássicas, ou seja, escritores gregos e romanos que os descreviam. Muito da imagem estereotipada dos povos bárbaros que se tem hoje teve origem nos possíveis exageros e distorções destes autores.

Para os gregos, romanos e egípcios o "ovo" simbolizava o nascimento e imortalidade. Tinham o costume de trocar ovos pintados e decorados entre si na primavera e oferendas aos deuses da fertilidade.

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Para os celtas, as flores representam a primavera, os ovos e lebres representam a fertilidade e os rituais são feitos em homenagem à Mãe Natureza pedindo que fertilize seus campos e dê fartura aos homens que lá vivem.

A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele tenha se tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa (primeiro domingo pós lua cheia). A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma "lua imaginária" conhecida como "lua eclesiástica".