Talvez os contemporâneos de Leonardo Da Vinci (1451 - 1510) não tenham tido o alcance de suas obras e invenções, e talvez nem ele mesmo tenha imaginado que elas atravessariam séculos e seriam apreciadas ou utilizadas no mundo inteiro quinhentos anos depois de sua criação. De qualquer forma, a curadoria dessa exposição enfatiza o lado humano do grande gênio, mostrando estudos, desenhos e maquetes que compartilham com o público o processo de criação de Da Vinci, colocando-o no seu tempo e no contexto do Renascimento, com todas as dificuldades que ele viveu. Por exemplo, para criar máquinas de voar, ele precisava criar máquinas de guerra para a família florentina de poderosos que o patrocinava.

A exposição divide-se em sete módulos: Introdução, Transformar o movimento, Preparar a guerra, Desenhar a partir de organismos vivos, Imaginar o voo, Aprimorar a manufatura e Unificar o saber. A mostra começa, na sua área de acesso, com uma grua de quatro metros de altura, e continua com as máquinas voadoras, as de guerra, as fabris, as hidráulicas, as a vapor, os escafandros e os submarinos, além de inúmeros desenhos e estudos artísticos vistos com lente de aumento para que o espectador acompanhe o gesto do artista, inovador ainda atualmente.

Leonardo Da Vinci nem sempre trabalhava sozinho, como atestam os estudos e projetos, sendo, às vezes inspirado por outros artistas ou arquitetos, como Bruneleschi, que começou a pensar na grua exposta na entrada da mostra provavelmente quando construiu a cúpula da catedral de Santa Maria dei Fiore, em Florença em 1434.

Os mais de quarenta itens, entre maquetes e desenhos dessa exposição, anteriormente realizada em Paris em 2013, datam de 1952 e foram feitos por engenheiros e pesquisadores, baseados nos originais do artista, em comemoração aos quinhentos anos de seu nascimento. Esse acervo pertence ao Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci de Milão.

O grande interesse dessa mostra consiste, principalmente, em seu aspecto interativo, com projeções que revelam, uma após a outra, as diversas concepções da obra do artista. Segundo seu curador, Cláudio Giorgione, "A Máquina dos sonhos é uma obra plástica, musical, interativa, onírica e lúdica, constituída por uma caixa de segredos", com um projetor de imagens que coloca o espectador no Renascimento e nas próprias observações de Da Vinci, que via no voo dos pássaros e na teia das aranhas inspirações para seus inventos.

Em 2017, a Mona Lisa completará quinhentos anos e sua imagem na exposição a coloca como observadora atenta de tudo que aconteceu desde aquela época até hoje.

A mostra fica até o dia 10 de maio e pode ser vista diariamente das 10 às 20h, na Galeria do Sesi, na avenida Paulista, 1313, em frente ao Metrô Trianon-Masp, em São Paulo. #Entretenimento