O disco começa a tocar e você logo pensa: será que coloquei o CD errado?! Não!

“Bush”, lançado nesta semana por Snoop Dogg, é diferente de tudo que o rapper tinha feito até agora. Bom, é assim que o próprio artista define o lançamento, que estreou comercialmente no formato digital, no iTunes, assumindo a liderança entre os títulos de hip hop em três importantes mercados, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Suingue não é, exatamente, uma marca registrada desse estilo, mas Bush tem balanço. “O funk norte-americano vive um hiato e a verdade é que, se o rap não tivesse conquistado seu espaço, eu provavelmente seria um cantor de ‘rythm and blues’ renegado, uma espécie de Rick James”, disse Snoop Dogg em entrevista a Jon Caramanica.

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Diferentemente de Rick James, a lenda do soul – autor dos clássicos Mary Jane, em que declara seu amor à maconha, e Super Freak, sampleada por MC Hammer – que foi do céu ao inferno por causa do vício em cocaína, chegando a cumprir pena de dois anos por ter assaltado duas mulheres para comprar droga, Snoop Dogg segue a trilha da nova trilha geração. “Quando comecei a trabalhar com #Música, em 1992, os negros controlavam apenas 10% do negócio e, hoje, controlamos 95%”, comenta o rapper. “Minha geração fez do hip hop uma coisa legal e rentável”.

Dois veteranos dão as caras em Bush: Charlie Wilson, o "Tio Charlie” do R&B moderno, e ninguém menos que multifacetado Stevie Wonder – os rappers Kendrick Lamar, T. I. e Rick Ross, além da loira Gwen Stefani, do No Doubt, também marcam presença no CD.

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A dupla do The Neptunes, formada por Pharrell Williams e Chad Hugo, assina a produção do disco. Ambos também são coautores da maioria das faixas. “São meus produtores favoritos e preciso sentir uma ‘vibe’ diferente para ir para o estúdio”, explica Snoop Dogg. “Se não fosse assim, gravaria um álbum por ano e fazia tempo que eu não lançava nada, o último foi Doggumentary ou Malice N Wonderland, certo?!”

A capa de Bush traz um cachorro azul fuçando galhos de alguns arbustos em vasos. As plantas fazem referência óbvia à maconha e o cão, à Crip, gangue de rua californiana de que Snoop Dogg faz parte. Há oito meses, o rapper apareceu em um vídeo, enrolando um baseado, durante as sessões de produção do CD. Perguntado sobre como vê a liberação do consumo recreativo da droga, ele preferiu dar um viés político para o tema: “Tenho visto muita gente ganhando dinheiro com a produção e o comércio legal da maconha, mas não vejo os negro faturando nada com isso”, avaliou.

De ‘gangsta’ a celebridade, Snoop Dogg recebeu um convite de honra para ir à Casa Branca, em 2013. “Isso não me surpreendeu. Acho que Michelle chegou para Barack Obama e disse: ‘está na hora de termos o Doggfather – uma alusão ao personagem Don Vito Corleone, de ‘O Poderoso Chefão’ – aqui”, disse o rapper. Bom, parece que foi isso... #Entretenimento #Famosos