O #Cinema sempre foi campo para desmistificações para o combate de preconceitos. François Ozon (Jovem e Bela, Dentro Da Casa, Tempo Que Resta, Swimming Pool – À Beira da Piscina e 8 Mulheres) não é, exatamente, um cineasta contestador, mas sua abordagem de temas que ainda causam desconforto é, sempre, marcada por uma visão isenta e pontuada pela simetria de uma direção que aposta, e sempre na linearidade da narrativa. Em Une Nouvelle Amie (Uma Nova Amiga, na tradução livre), a personagem principal, Claire, vivida por Anaïs Demoustier (Um Amor Em Paris e O Palácio Francês), descobre que o viúvo de sua melhor amiga vem praticando o “cross-dressing” em segredo.

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Ainda sem data para estreia no Brasil, Une Nouvelle Amie venceu o prêmio de Melhor #Filme no Festival Internacional de San Sebastián, do ano passado, e teve mais quatro indicações, entre elas a de Melhor Filme, no Festival Internacional de Ghent e as de Melhor Ator para Roman Duris (de A Datilógrafa, Depois de Partir e As Aventuras de Molière), no Lumiere e no César Awards.

Na produção, Ozon mostra as transformações que a relação entre Claire e David sofre, quando ele começa a vivenciar sua faceta feminia, Virginia. Longe de ser um filme militante, Une Nouvelle Amie se apoia muito na atuação de Duris. “Eu sempre quis interpretar uma mulher, mas não sabia como isso seria. Há poucos personagens que podem desaparecer sob a maquiagem e, de repente, não há limites”, disse o ator ao “Paris Match”.

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Há um quê “hitchcockiano” em Une Nouvelle Amie e Ozon explica essa ligação. “Antes das filmagens, conversei com Chantal Poupaud, que tinha feito um documentário sobre ‘cross-dressers’. Cada história é única, mas ela me contou a de um homem que começou a se travestir depois da morte da esposa. Lembrei, imediatamente de Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, em que a personagem principal revive alguém que já morreu através do vestuário”, conta o cineasta. “Eu não queria um filme em que Claire matasse Virginia, no final. Queria um filme de amor e, então, a ficha caiu”.

Da pureza da infância à transgressão da vida adulta, Ozon apresenta as ambiguidades do “cross-dressing”, contrapondo a sensibilidade de Anaïs – que está lindíssima – com o erotismo travestido de Duris. Une Nouvelle Amie poderia avançar nas consequências da transformação de David em Virginia e, também, ter mais romance. Na Rússia, onde os ativistas gays vêm sendo perseguidos por uma lei anti-propaganda homossexual, o filme ganhou conotação política. “Não pensei nisso, mas o fato é que um homem ir para o trabalho de maquiagem e unhas pintadas ainda é tabu em qualquer país”, pontua o diretor.

Bom, veremos como ele será recebido por aqui. #Entretenimento