Na semana em que "As Mulheres de Argel", de Pablo Picasso, alcançou o valor mais alto pago por um quadro em leilões, outra artista não menos popular assina a maior exposição do verão nova-iorquino, no Museu de #Arte Moderna (Museum of Modern Art). A apenas quatro quarteirões da casa de leilões Christie's, onde "Les femmes d'Alger" foi arrematado por US$ 179 milhões (o equivalente a R$ 540 milhões), "Yoko Ono: One Woman Show, 1960-1971" promete reunir muitas celebridades na sua abertura e atrair muitos curiosos, a partir do próximo dia 17, na mais prestigiada das seis galerias do MoMA. Ao todo, são mais 100 obras da primeira fase de sua carreira, grande parte delas produzidas antes de Yoko ter seu lado artístico ofuscado pela imagem da viúva de John Lennon.

"Yoko Ono foi uma das artistas mais inovadoras dos anos 60, trabalhando ativamente em Tóquio, Londres e Nova York", avalia o curador-chefe do MoMa, Klaus Biesenbach.

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"Queremos descobrir essa sua faceta escondida por trás da fama", acrescentou. A verdade é que Biesenbach precisa apagar o mal-estar caudado pela exposição "Björk", retrospectiva da obra da cantora e compositora islandesa, que fica em cartaz até 7 de junho e foi pessimamente recebida pela crítica norte-americana. Neste caso, Yoko devolveria à sua imagem arranhada os predicados que sua posição exige.

Questionado pela imprensa nova-iorquina, Biesenbach se negou a comentar o fiasco de "Björk" e disse apenas que "são propostas muito diferentes", em relação à exposição de Yoko. Já a viúva de Lennon, de 82 anos, fez questão de elogiar sua colega mais jovem: "ela é incrível".

Aparentando 20 anos menos, Yoko dá atenção à cada indagação. "Por que esta retrospectiva é tão conceitual? Porque a imaginei para mim", justifica ela, que há 44 anos não tinha uma exposição solo.

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"Eu já tinha essas ideias na minha cabeça, desde os quatro anos de idade. Lembro-me de certa vez, quando estava com minha mãe no nosso pomar, e perguntei para ela porque não cortava a semente de um fruta e a juntava com a metade de outra semente, de uma fruta diferente. 'Pode nascer algo realmente estranho', disse a ela".

Curiosamente, o MoMA foi um museu que praticamente ignorou o radicalismo do movimento Fluxus durante décadas. Organizado, inicialmente, pelo lituano George Maciunas, seu grupo de antiartistas recusava o aspecto mercadológico da arte, nos anos 60 e 70, através de um estética dadaísta. Nam June Paik, Joseph Beuys, Gustav Metzger e Yoko Ono, além de Wolf Vostell, são alguns dos nomes de maior destaque desta corrente.

Já o grande destaque de "Yoko Ono: One Woman Show, 1960-1971", que fica em cartaz até o dia 7 de setembro, é a performance "Cut Piece", encenada pela primeira vez no Japão, depois de uma crise maternal, e que foi reproduzida e filmada na sala de recitais do Carnegie Hall, em 1965 - é este registro que os visitantes verão no MoMA.

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Considerada por dois de cada três estudantes de arte como sua obra-prima, a peça consistia na artista subir ao palco e permitir que os visitantes cortassem sua roupa com uma tesoura. "A arte segue como um desafio para mim, assim com a vida. E a vida é o que de mais desafiador nós encontramos", define Yoko. #Entretenimento #Famosos