A estratégia não é nova, mas lançar álbuns póstumos segue como uma alternativa rentável para gravadoras e herdeiros, além de um alento para os fãs. É mais velho do que andar para frente e Kurt Cobain, o roqueiro mais influente dos anos 90, ganha um disco solo – curiosamente, o primeiro de sua carreira, encerrada com um tiro na cabeça em abril de 1994, quando ele tinha apenas 27 anos – neste segundo semestre. O repertório foi selecionado a partir de 107 fitas caseiras com mais de 200 horas de gravações, conteúdo ainda inédito deixado por Cobain. “Não estamos falando de um disco do Nirvana, é bom frisar”, enfatiza Brett Morgen, diretor do primeiro documentário autorizado do artista, “Kurt Cobain: Montage of Heck”, que estreia hoje, nos Estados Unidos, pelo canal HBO.

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Morgen crê que o documentário será o “The Wall” da nova geração e, pelo que ele adiantou, o novo disco será uma espécie de trilha sonora do filme. “Vocês vão ouvi-lo, apenas ele, como nunca ouviram”, garante o cineasta, que teve acesso irrestrito ao espólio doméstico do guitarrista – sua filha, Frances Bean Cobain é a produtora-executiva do documentário. Uma versão de “And I Love Her” dos Beatles, que está disponível na internet, dá a deixa do que os fãs podem esperar. “Kurt documentou as suas experiências de forma visceral, em áudio e vídeo”, disse Morgen.

Sessões gravadas com sua ex-mulher, Courtney Love, e os companheiros do Nirvana se misturam a outros covers dos Beatles, registros acústicos – o filme traz 12 minutos inéditos, de voz e violão – e ‘spoken words’, depoimentos em que Cobain fala sobre si mesmo – de quando perdeu a virgindade, por exemplo - e divaga sobre o caos emocional em que mergulhara: “Vou levar toda a culpa?”, balbucia em um desses trechos.

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Mike Hale, do New York Times, descreveu o documentário como “emocionante, um mosaico artístico”, mas os fãs não devem esperar muito do CD.

É que enquanto o material de vídeo, em sua maioria registrado pelo próprio Cobain, dá o tom o realista do documentário, o mesmo não se pode dizer de sobras de estúdio. Afinal de contas, o mais provável é o álbum seja uma colcha de retalhos com canções inacabadas com a mesma qualidade de áudio do viva-voz de um iPhone. Sinceramente e sem ofensa, o som mais estimulante do lançamento, que chega ao Brasil ainda neste ano, é o tinir da registradora da gravadora, no caso a Universal Records. Charlatanice é o que o próprio Cobain sugeria quando gritava “entertain us!” – nos entretendo, em inglês. Então, é por aí... #Entretenimento #Famosos #Música