A eterna luta entre mouros e cristãos continua a ser retratada em Campos dos Goytacazes, norte do estado do Rio de Janeiro. Nessa disputa, vence quem tem mais habilidade em destruir os jarros de barro, ou conseguir capturar mais argolinhas de metal. Como diria Luiz Beltrão, jornalista pernambucano, a cavalhada é um elemento folkcomunicacional que se reinventa através dos tempos e da modernidade. Nessa luta, cavaleiros, moradores da Baixada Campista, proprietários rurais, pais e filhos, lembram e relembram uma tradição que já passa dos 100 anos.

A Cavalhada é um dos destaques de duas festas religiosas tradicionais, a de Santo Amaro, que ocorre no dia 15 de janeiro e a de São Martinho, que ocorre em 11 de novembro.

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Ninguém sabe ao certo em qual das duas festas religiosas a cavalhada é lembrada há mais tempo, mas o fato é que a tradição é mantida.

Antes da disputa os cavaleiros assistem uma missa na #Igreja local, ou em São Martinho, ou em Santo Amaro (padroeiro da Baixada Campista). Em seguida os cavaleiros, caminham lado a lado até o campo de batalhas e iniciam o seu desfile e a disputa. Ao final, para alegria dos espectadores os vencedores da disputa recebem troféus e medalhas.

A #História – Diz a lenda que cristãos e mouros resolveram disputar uma contenda em um campo de batalha, cujo prêmio era a mão de uma princesa. A cavalhada é a maior atração das duas festas religiosas que acontecem na Baixada Campista. Se a festa de São Martinho não atrai tantos olhares, a de Santo Amaro recebe um fluxo de pessoas que ultrapassa a casa de 10 a 15 mil pessoas no dia da festa.

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Afinal o campista, como brasileiro, é um religioso devoto de seu santo, e Santo Amaro, que já foi beneditino, é considerado como um santo milagroso.

Os milagres de Santo Amaro – Anualmente milhares de fiéis vindos de diversos pontos do estado do Rio de Janeiro, como as cidades vizinhas de Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu, Cardoso Moreira, Italva, São Fidélis, Itaperuna e Bom Jesus do Itabapoana, seguem em procissão até a zona rural de Campos dos Goytacazes para prestar sua homenagem à Santo Amaro. Na sala de devotos, os fiéis pagam promessas, entregando ao santo, milhares de objetos como braços, pernas, cabeças, troncos, e até mesmo outras partes do corpo para agradecer pelas graças alcançadas.

Há ainda àqueles que pagam ou fazem suas promessas acendendo velas e curvando-se diante da imagem do santo e caminhando até o altar de joelhos. A peregrinação é grande e o católico para demonstrar sua fé, segue a pé, de bicicleta, muletas, carros, cavalos e até de ônibus. Para receber tantos turistas, é necessário que a Sociedade Musical Santo Amaro, acompanhe os fiéis que chegam de ônibus como ocorre todos os anos.

A Cavalhada é tombada pelo COPPAM - Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos dos Goytacazes, através da Resolução nº 001/2011. #Animais