Desde que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, trouxe consigo inúmeros traços culturais, a começar pela #Culinária, que foi saboreada pelos primeiros índios que tiveram acesso às caravelas portuguesas e saborearam as iguarias feitas especialmente para eles.

Posteriormente, quando Portugal resolveu dividir as terras descobertas em capitanias hereditárias, algumas capitanias se destacaram pelo progresso. Entre elas, a de São Thomé, atualmente conhecida como Campos dos Goytacazes, localizada no norte do Estado do Rio de Janeiro.

A chegada de famílias portuguesas à região, para incrementar a indústria canavieira gerou uma série de transtornos para essas famílias e sua adaptação ao meio e às condições nem sempre favoráveis. Somente com o incremento de um elemento primordial na culinária portuguesa, enviado por El-Rei, é que foi dado um novo impulso à culinária portuguesa em terras brasileiras, a galinha.

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Pois é a partir da criação desta ave, e da produção de ovos, que as portuguesas passaram a produzir doces para deleite dos senhores de engenho, ávidos por novas iguarias. E é aqui que certamente nasceu o chuvisco, um doce de origem portuguesa, em terras brasileiras.

O chuvisco é um doce feito à base de gemas de ovos, cuja receita saiu certamente dos conventos portugueses e ganhou espaço nas cozinhas populares, e nas mãos de cozinheiras hábeis, no manejo da colher e de dar a forma de uma gota de chuva a este delicioso quitute.

Como no Brasil, cada cidade possui sua peculiaridade, apenas duas cidades brasileiras ostentam a arte de fabricar doces à base de gemas de ovos, são elas: Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro, que sofreu a influência da cultura e culinária portuguesa; e Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, que sofreu a influência açoriana.

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A receita é tradicionalmente passada de geração em geração por senhoras donas de engenhos. Até que no século XX, a mulata Nize Teixeira de Vasconcelos, mais conhecida por “Mulata Teixeira”, cozinheira de mão cheia por natureza passou a fabricar os chuviscos em calda por encomenda para as festas das pessoas da alta sociedade.

A comercialização dos chuviscos feitos por Mulata Teixeira abriu um precedentes em Campos dos Goytacazes, pois depois dela, inúmeras cozinheiras passaram a fabricar o doce com o intuito de obter uma renda extra para a economia familiar.

O chuvisco, segundo Roberto Ribeiro, ex-vereador de Campos, já foi experimentado por altas autoridades que quando iam a Campos, deliciavam-se com os chuviscos feitos por Mulata Teixeira, e encomendavam grandes quantidades do doce. Entre as autoridades citadas por Roberto Ribeiro está o ex-presidente da república, Getúlio Vargas, que já esteve em Campos, por duas vezes.

Em meio ao século XX, Campos dos Goytacazes chegou a ver o doce ser industrializado.

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Uma das empresas que industrializou e comercializou o doce foi a Fábrica de Doces Gotary. Posteriormente, surgiram outras empresas como a M.Eu. Doce, a Marry & Quel Buffet, atualmente a Fábrica de Doces Nolasco e a Fábrica de Doces Boas Novas.

No último quarto do século passado, algumas doceiras se reuniram e criaram uma cooperativa de doceiras, a COOPERDOCE. Com muita dificuldade esta cooperativa, que foi a primeira no Brasil a abrigar o trabalho de doceiras, teve vida efêmera por falta de incentivos e apoio da municipalidade. #Curiosidades #Rio Cultura