Os herdeiros dos artistas Maria da Glória Ramalho Pessanha, Themis Torres Lima (viúva do jornalista Oswaldo Lima) e do maestro Anoeli Maciel, acabam de entrar na Secretaria Municipal de Obras, com solicitação para a demolição das instalações do Conservatório de #Música de Campos, incluindo a da Sala de Concertos Edméa Regazzi de Mello, localizadas à Rua 13 de Maio, 257, em pleno Centro Histórico de Campos dos Goytacazes, RJ.

Pelo que se sabe as famílias, caso insistam na demolição, encerrariam a #História cultural e artísticas de seus antepassados, iniciada em 1935 com a fundação do Conservatório que, ao longo das últimas oito décadas, vem sendo responsável pela formação musical de várias gerações.

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E o pior: pretendem transformar o terreno de cerca de 500 metros quadrados em mais um estacionamento para veículos automotivos.

PROCESSO NO COPPAM - O processo com o pedido de demolição se encontra na pauta de reuniões do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural - COPPAM -, que, como medida profilática, assumiu a denúncia contra os herdeiros junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, considerando que o Conservatório é um importante patrimônio do município.

Motivo de reportagem da Folha da Manhã, em 12 de outubro de 2014, dando conta do abandono do espaço e a perda considerável de material iconográfico (como partituras, fichários de antigos alunos, quadros e instrumentos musicais), o destino do Conservatório chegou a motivar protestos por parte de instrumentistas que lá tiveram formação.

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O pedido de demolição está assinado pela professora Maria Cristina Torres Lima, em nome dos demais herdeiros e o assunto poderá render uma ampla discussão sobre o patrimônio artístico e cultural da cidade que, salvo poucas exceções, vai perdendo suas mais singelas representações, vencidas pelo novo ordenamento social.

O conservatório encontra-se fechado, e praticamente abandonado, tendo sido inclusive invadido por mendigos, desde o falecimento do maestro Anoeli Maciel, que era sócio majoritário da escola. Em uma visita ao local verifica-se que as placas alusivas aos artistas, e da fundação da Sala de Concertos Edméa Regazzi de Mello, foram arrancadas e se encontram em local desconhecido.

PRESIDENTE DO COPPAM - O presidente do Conselho, professor Otávio de Campos se pronunciou a respeito do assunto, aclarando que "a memória dos fundadores do Conservatório pode não ser interessante para seus familiares, mas o é para a cidade, que, em tese, não pode abrir mão de manter essa história envolvida não só na beleza, mas, principalmente, em doação por parte de seus professores".

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Sobre o julgamento do feito, o presidente disse que o conselho é paritário e independente para julgar segundo o bom senso de cada integrante. "Acredito que os fatos deverão ser avaliados pelo Ministério Público", lembrou ao finalizar: "Não podemos nos esquecer, também, que naquele espaço se desenvolveu durante anos o famoso Orfeão de Santa Cecília, fundado, em 1941, pelo filólogo Newton Perissé Duarte, autor do Hino a Campos, musicando estrofes da "Amantia Verba", do Poeta Azevedo Cruz".

Situado em Área Especial de Interesse Cultural - AEIC -, de conformidade com o Plano Diretor (Lei Municipal 7.972/2008), o Conservatório encontra-se protegido, também, pela Lei Municipal 8.487, de 30 de outubro de 2013, além de outros instrumentos protetivos, com destaque para a Lei Federal 25, de 30 de novembro de 1937. #Educação