No ano de 1961, nasceu o mais inovador seriado nacional, criado por um grupo de idealistas e dirigido pelo cineasta Ary Fernandes: o hoje clássico "O Vigilante Rodoviário".

A série trouxe aos expectadores os costumes, a linguagem e a cultura do Brasil que não existia, até então, em formato televisivo. Este foi o primeiro seriado brasileiro a concorrer com os norte-americanos exibidos pelas emissoras nacionais na década de 60.

O nome da série era para ser "Patrulheiros do Oeste", mas, na mesma época, um filme de faroeste recebeu tal título. Por conseqüência, os produtores do seriado tiveram que mudar o nome para "Vigilante Rodoviário" como ficou nacionalmente conhecida.

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A série estreou em março de 1961 na extinta TV Tupi de São Paulo. Era transmitida todas as quartas feiras às 20h após o telejornal "Repórter Esso" (também extinto). Foram realizados 38 episódios, reprisados mais tarde pela TV Cultura, TV Excelsior (extinta) e Rede Globo.

Para o papel de herói, inscreveram-se cerca de 200 pessoas que foram reprovadas. Então, o diretor resolveu testar um de seus assistentes: Carlos Miranda, que na época trabalhava como técnico de cinema na produção e fazia aulas de teatro. E ele passou no teste.

Para que o seriado tivesse mais ação e emoção, o ator ganhou um fiel companheiro, o cão Lobo. Tal foi à aceitação de seu papel pelo público, que a série e o personagem do inspetor Carlos (como era chamado) traz até hoje, milhares de fãs, espalhados pelo Brasil.

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Em cima de uma motocicleta Harley-Davidson, ou em um Simca Chambord 1959, o inspetor Carlos e seu parceiro Lobo enfrentaram todo tipo de criminosos. A missão do vigilante era manter a paz nas rodovias de São Paulo. A dupla transmitia aos expectadores proteção e tranquilidade.

Para se ter uma ideia do sucesso da série, o número de pessoas que possuíam aparelhos de televisão na década de 1960 no Brasil era muito pequeno - aproximadamente 30% da população. E sendo assim, os produtores optaram por lançá-la no cinema em quatro episódios cada filme, representando um longa-metragem. O filme foi campeão de bilheteria e assim, conseguiu alcançar o público que almejava.

A cada cena, uma nova batalha a ser vencida. O seriado que era pago para cada episódio já concluído, começou a apresentar dificuldades em se manter, como por exemplo, para adquirir os negativos que eram comprados aos poucos na empresa Kodak. Nesta época os filmes eram feitos em celulose de 35mm montados e reproduzidos em 16mm para serem transmitidos pela televisão.

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Quando Jânio Quadros assume a presidência, cria a Lei 51.166, esta é referente a uma taxa de 400% de importação de produto. Como o material usado para produção era importado, houve uma brusca queda na execução da série. A verba que a empresa Nestlé (patrocinadora) destinada à série já não a sustentava mais. Após três dias renovado o contrato com a empresa, O Vigilante Rodoviário teve seu fim, ao mudar a direção da empresa.

Após o final da série, o ator Carlos Miranda se tornou um vigilante rodoviário na vida real, trabalhando até aposentar-se como Tenente Coronel, em 1988. Em sua época, resgatou um patriotismo intrínseco em cada cidadão da época, e trouxe para o público um nato herói brasileiro.

Hoje aos 81 anos, teve uma exposição na cidade de Cabreúva-SP, onde rememorou seu tempo de "Vigilante Rodoviário" e contou com o acervo de troféus, vídeos de entrevistas e eventos ao qual participou ativamente ao longo de seus anos. #Entretenimento #Seriados #Educação