Foi divulgada na última segunda-feira, 8, a programação completa do Rock in Rio 2015. A edição será a sexta realizada no Brasil, a terceira somente nesta década (foi realizada também em 2011 e 2013). Além disso, a edição desse ano será especial em homenagem aos 30 anos do Festival, que foi realizado pela primeira vez em 1985. Toda a estrutura do evento já está em fase de conclusão na Cidade do Rock, palco de cinco das seis edições no país (apenas em 1991 o RIR foi montado no estádio do Maracanã).

Dentre as principais atrações do Palco Mundo (principal) para a próxima edição, pode se destacar algumas caras que já pintaram em edições passadas do Festival realizadas em terras tupiniquins: Queen (em 1985) dessa vez com Adam Lambert, Rod Stewart (em 1985), Metallica (em 2011 e 2013), Paralamas do Sucesso (em 1985 e 2011), Queens of the Stone Age (em 2001), Systen of a Down (em 2011), Faith no More (em 1991), Slipknot (em 2011), Rihanna (em 2011), Lulu Santos (em 1985), A-Ha (em 1991) e Katy Perry (em 2011), que vai fechar a edição deste ano.

Publicidade
Publicidade

O Rock in Rio VI no Brasil será realizado em dois períodos de setembro, de 18 a 20 (três dias) e de 24 a 27 (quatro dias). Todos os ingressos se esgotaram no mesmo dia de abertura das vendas. O sucesso do retorno do Festival ao seu país de origem é tão grande que os organizadores já anunciaram mais duas edições brasileiras para os anos de 2017 e 2019, concluindo, com isso, cinco edições em apenas uma década, feito inédito para o maior evento de #Música e entretenimento do Brasil.

Pop in Rio?

Um fato que vem incomodando muitos roqueiros brasileiros é a ampliação do Rock in Rio para um cenário mais Pop da música internacional e nacional. A cada nova edição, desde 2011, o Festival colocou como destaque em sua line up atrações como: Beyoncé, Justin Timberlake, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Rihanna e Katy Perry (as duas últimas voltam ao Festival este ano), dentre outros artistas não ligados ao gênero Rock.

Publicidade

O jornalista e pesquisador musical Jorge Cardoso Filho avalia esta questão: "Creio que faz parte do processo de atingir uma maior quantidade de público e atender às demandas diversas do mercado cultural contemporâneo. Evidentemente, isso pode criar tensões entre públicos - que reagem com intolerância, em algumas ocasiões, mas também favorece uma maior mistura e processos de hibridização, inclusive entre os fãs. O problema não é ter se tornado mais Pop, mas tentar apagar as diferenças entre públicos numa espécie de harmoniosa convivência", explica.

O Rock morreu?

Para alguns críticos mais extremistas o rock está morto, pelo menos, para o cenário mainstream da música internacional. Para Jorge Cardoso Filho as coisas não são bem assim. "Acho que pensar o Rock como antônimo do Pop é a expressão de um determinado contexto no qual nos referíamos ao Pop como algo para mero consumo e sem autonomia. Estava implícito pensar que o Rock era esse gênero totalmente underground e que, portanto, se distinguia do Pop", afirma.

Publicidade

"Creio que parte considerável do Rock hoje em dia não faz essa radical oposição, de modo que aumentar a line up Pop segue uma tendência das expressões midiáticas contemporâneas. Nesse sentido, acho que o que caiu não foi o gênero Rock no cenário mundial (porque o próprio Rock ficou também mais Pop), mas caiu foi a potência de enfrentamento que esse gênero desempenha no âmbito da conjuntura atual", garante o pesquisador musical.

Cadê o Rock Nacional?

Ainda segundo Jorge Cardoso Filho, o fato de haver poucas bandas do Rock Nacional na grade de programação do RIR é um indício de que o Festival segue uma tendência hegemônica mais ampla. "Isso é fruto de nos inserirmos nesse capitalismo avançado de consumo. Nesse sentido, acho que o festival segue esse caminho, mas poderia (e em minha opinião, deveria) pensar sim em alternativas. Manter algum grau de resistência e enfrentamento. Dar espaço também para as hegemonias alternativas", sugere.

"Pode garimpar bandas de Rock em cidades brasileiras diversas e fomentar outra vez o amadurecimento das expressões musicais. Mas esse trabalho de 'garimpar' e 'fomentar' parece cada vez mais distante do festival", critica Cardoso Filho.