Ficou para esta terça-feira o lançamento das reedições Deluxe e Super Deluxe do clássico "Sticky Fingers", dos Rolling Stones. Curiosamente, o motivo do atraso foi o mesmo que acabou fazendo da primeira prensagem do LP uma relíquia: o zíper verdadeiro aplicado na capa do disco. Em 1971, a peça acabou provocando um defeito no vinil, mais precisamente na terceira faixa do lado 'B', "Sister Morphine" e, por isso, foi eliminada. Na época, o designer Craig Braun, hoje proprietário e diretor de criação da Sound Packaging Corporation, encontrou a solução para o problema em meio a uma noite de pesadelos.

"Pensei em descer o zíper até a metade para que, na hora da distribuição, quando os LPs eram empilhados, ele não ficasse exatamente no centro do disco, sobre o selo", lembra Braun, que assinou o desenho da capa.

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Para esta reedição, o fecho voltou a ser problemas, mas desta vez por causa de um atraso na sua produção.

Em 2003, a arte original de "Sticky Fingers" foi considerada "A Melhor Capa de Disco de Todos os Tempos", pelo canal fechado de televisão norte-americano VH1. O álbum foi o primeiro gravado pelos Rolling Stones depois de sua saída da Decca e a criação de sua própria gravadora. Nele também aparece, pela primeira vez, a logomarca da boca com a língua para fora, criada por John Pasche, que se tornou o símbolo da banda britânica.

"Esse disco foi um marco, o primeiro de uma série de lançamentos com capas imaginativas e, também provocativas", avalia Braun. "Os Rolling Stones eram os meninos malvados do rock e sabiam que se colocássemos um zíper ali as pessoas iam se perguntar sobre o que havia atrás dele.

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Na verdade, experimentamos outros conceitos lúdicos, mas Mick Jagger gostou da ideia de Andy Warhol - que foi o idealizador da arte - e então ficou decidido", conta o designer, que já havia trabalhado com Warhol, em 1967, na criação da capa de "The Velvet Underground & Nico" - o famoso disco da banana.

Uma curiosidade a respeito do close pélvico é que, até hoje, ninguém sabe ao certo que foi o modelo. "Warhol, que fez a foto, trabalhou com três garotos e nem ele se lembrava, ao certo, do escolhido", conta Braun. Jed Johnson, amante do artista na época, e seu irmão, Jay, estão entre os bem-dotados fotografados. Joe Dallesandro também reclama para si a efeméride.

O que pouca gente sabe é que, na primeira edição de "Sticky Fingers", além da convincente imagem 'em repouso', na capa, havia outra foto do modelo apenas de cueca e em posição de 'sentido', no interior. "Eu pensei que ia me meter em encrenca com aquilo", brinca Braun que, ao lado de Pasche, contribuíram para a mitologia do rock.

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Enquanto o primeiro faturou um bom dinheiro com licenças para a reprodução comercial da arte de do LP, o segundo recebeu 50 libras - o equivalente a R$ 240 - pela logomarca da língua, em 1971 - ele vendeu o original por 1.000 vezes mais, em 84.

"Hoje, o merchandising dos Rolling Stones movimenta bilhões", avalia Braun, que diz em tom descontraído: "Pensando bem, eu devia ter ficado nesse ramo". #Entretenimento #Famosos #Música