Você teria um quadro enorme, na sala de sua casa, com uma genitália gigante desenhada?

Bom, este é tema da obra de Judith Bernstein, artista plástica norte-americana que voltou a ser assunto nas últimas semanas, em Nova York, com “Voyeur”, exposição que ficou em cartaz durante dois meses na Mary Boone Gallery, na prestigiadíssima 5ª Avenida. Aos 72 anos, uma das artífices do “Feminist Art Movement” que chacoalhou a cena norte-americana no início dos anos 70 com uma abordagem militante para a #Arte feminina, revela um talento pictórico ainda latente. Além do reconhecimento por suas telas, Judith também é famosa pelo trabalho com ‘graffiti’.

Durante muito tempo, usei o falo masculino para criar uma metáfora antimilitarista, antiguerra, ao mesmo tempo em que busquei mostrar o fortalecimento das mulheres”, explica a artista.

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Minhas pinturas diziam sobre essa postura masculina, seu ego, mas também sobre o meu ego, afinal eu queria aquilo que os rapazes tinham e pensava da mesma forma que eles. Tipo: ‘o meu é maior que o seu’ e por aí vai. Talvez seja por isso que goste de uma assinatura tão grande, em meu trabalhos”.

Judith continua usando os genitais como base imagética, mas agora ela sugere que os homens são meras testemunhas da ascensão explosiva da mulher em todas as esferas sociais. Pinceladas pulsantes e tons fluorescentes, combinados ao preto e ao azul escuro, revelam um cenário de convulsão universal, como a série “Birth Of The Universe”, em que reformula o famoso quadro “A Origem do Mundo”, de 1866, do pintor realista francês Gustave Courber.

Se você fizer uma pesquisa histórica, verá que a arte romantizou o sexo e até a definição de ‘virilha’, expressa na obra de Couber, mostra o quanto os genitais eram chocantes há até bem pouco tempo”, argumenta Judith.

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Pessoalmente, prefiro o termo coloquial, para definir algo que penso como raivoso e feioso ao mesmo tempo. Para expressar as emoções femininas, juntei aquilo que sempre admirei no ‘O Grito’ de Munch – o pintor norueguês Edvard Munch, precursor do expressionismo alemão – e no quadro de Courber”.

Para ela, a série “Birth Of The Universe” é uma espécie de Big Bang, a grande expansão cósmica do Universo. “Quando eu era garota, tínhamos apenas um par de panelas para darmos conta. Agora, estamos em um outro nível e não só como mulheres. Como humanos, temos informações sobre o cosmos que vão além da ficção-científica. Eu apenas nos coloco no centro da astrofísica e, para dizer a verdade, me divirto muito com isso”, exprime a artista.

Para quem não conhecia e se interessou pela obra de Judith Bernstein, um exemplar da série em questão não sai por menos de US$ 20 mil – o equivalente a R$ 67.500. Some a isso os impostos e você terá que desembolsar algo em torno de R$ 80 mil para ter uma peça da artista. Sem dúvidas, vale o investimento. #Curiosidades #Comportamento