Milena nasceu em 2000. Recém-completados 15 anos, ela marcou com as amigas para irem ao #Cinema após a aula. Até aí, nada de excepcional. Apenas quando pergunto qual #Filme elas vão assistir é que vem a surpresa: “Vamos assistir ET – O extraterrestre”.

O filme que a jovem se refere foi lançado 18 anos antes do nascimento dela, em 1982. Dirigido por Steven Spielberg, ET obteve um estrondoso sucesso de bilheteria e se tornou um dos maiores clássicos infanto-juvenil da história do cinema.

O retorno de clássicos como ET às salas de cinema faz parte de uma nova tendência do entretenimento de filmes que se consolida a cada nova ação no Brasil.

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A primeira edição no país foi feita pela empresa Cinemark em meados de 2014, quando trouxe de volta às telonas, clássicos como: Pulp Fiction (Quentin Tarantino), Táxi Driver (Martin Scorsese) e Laranja Mecânica (Stanley Kubrick), dentre outros. Desde então, sete edições já se passaram, todas com sessões lotadas em diversas cidades do país.

Segundo o departamento de marketing da Cinemark, o projeto deu certo muito por conta da novidade que existe em volta dele. A cada temporada, um público cada vez mais jovem surge. A sala fica dividida entre aqueles que já viram o filme na TV, mas nunca no cinema, e aqueles que nunca nem viram o filme, estão indo para assistir pela primeira vez. Em algumas cidades, a sessão dos clássicos chega a ser tão concorrida quanto a sessão de um filme inédito do circuito oficial.

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A nova “onda” do cinema

Para a especialista em Audiovisual, Laura Cánepa, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi, essa nova “onda” se trata de uma valorização da experiência coletiva do cinema, e também da tradição dessa arte.

“O cinema foi a forma de arte mais popular do século XX, e continua sendo no século XXI, apesar das mudanças evidentes na paisagem audiovisual. Então, apesar desses filmes ‘clássicos’ estarem largamente disponíveis em DVD, Blu-Ray e na TV, as pessoas sabem que eles foram concebidos originalmente para exibição em tela grande e em espaços públicos. Com essas sessões de clássicos, os espectadores têm a possibilidade de conhecer as obras da forma como foram concebidas por seus realizadores”, diz.

Mercado de filmes no Brasil

Um dos objetivos do projeto da Cinemark é o de movimentar ainda mais o mercado de filmes no Brasil trazendo mais opções para públicos diversos. “possivelmente devolve à sala de cinema o status (cada vez mais raro) de um espaço para consumo cultural de alto nível e de intercâmbio intelectual entre espectadores.

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Pois quem vai ao cinema para assistir a um filme chamado de ‘clássico’ deve estar pensando em algum tipo de experiência reflexiva e de aprimoramento do repertório cultural”, afirma Laura Cánepa.

Motivações para a nova “onda”

A especialista Laura Cánepa avalia as motivações para o retorno dos clássicos aos cinemas. Ela não acredita em uma suposta desmotivação do público com a atual produção cinematográfica. “Não penso assim, pois as bilheterias mundiais vêm batendo recordes sucessivos em anos recentes, com novidades como a popularização do Cinema 3D (que existe desde os anos 1950) e das salas 4D. A questão é que o cinema  foi a forma de arte mais popular no século XX, e continua central no século XXI”.

“Então, é natural que as pessoas que gostam de cinema fiquem curiosas para conhecer melhor os grandes clássicos dessa arte. Provavelmente, alguns filmes feitos hoje serão considerados clássicos daqui a 30 ou 50 anos, mas isso só o tempo vai definir”, conclui. #Entretenimento