Em contraste com outros setores tradicionais do mercado, que sentem na pele o efeito do desaquecimento da economia, o comércio de #Livros no Brasil fechou o primeiro semestre do ano em crescimento e apresentou um incremento de 6,9% em faturamento com relação ao mesmo período do ano passado. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (16) no Painel Especial das Vendas de Livros no Brasil.

Construído pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pelo Instituto de Pesquisa Nielsen (IPN), os números do Painel ainda indicam que a ascensão no setor ficou abaixo da inflação que bate o percentual de 8,5% somado no decorrer dos últimos 12 meses.

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O cruzamento dos dados e a análise comparativa com 2014 mostram que, mais uma vez, houve uma sensível redução do número das vendas de obras a partir do mês de junho, que aumentou 8,2% em contraste com o ano anterior. Sobre o mês de maio, os números são ainda mais generosos: observou-se um acréscimo de 21% nas vendas na comparação há um ano.

Conforme ressalta a Snel, o intuito do sindicato com a criação do Painel é justamente dar mais transparência e credibilidade à indústrial editorial do país, possibilitando comparação de períodos, vendas e dados referentes às obras. Para a realização do levantamento, foi utilizado o BookScan Brasil, que detalha as compras nas grandes redes de livrarias e supermercados do país por meio de um serviço avançado de monitoramento.

Engana-se, contudo, quem imagina que o fortalecimento das vendas de obras nas livrarias do país se deva a um maior interesse por biografias, romances, documentários ou relatos históricos de autores consagrados.

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São os livros de colorir que incrementam uma boa fatia dos números, atingindo uma representação de 6% da somatória de títulos vendidos no decorrer do primeiro semestre de 2015.

Ainda que os valores não sejam muito diferentes entre si, a leve redução na média geral dos preços dos livros também é um fator que pesou para o aumento das vendas. Segundo informa a pesquisa, as obras ficaram 1,6% mais baratas nos primeiros seis meses desse ano, com uma média estimada em R$ 37,79. Em 2014, no período compreendido entre os mesmos meses, a média era de R$ 38,58.

Crescimento da venda de livros não aumenta índice de leitores no país  

Ainda que na frieza dos números o crescimento em um ano do comércio de livros possa ser comemorado, a ascenção não reflete em um maior interesse dos brasileiros pela leitura. Um levantamento realizado pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro apontou que sete de cada dez brasileiros sequer leram uma obra no ano de 2014. Isto é, 70% da população brasileira não lê livros.

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Já um estudo esboçado no livro Retratos da Leitura no Brasil III mostra que a imensa maioria dos jovens do país leem apenas para realizarem tarefas dadas na escola. Na faixa de 11 a 17 anos, 80% (aproximadamente 24,3 milhões) só chegam perto de um livro se for exigência de algum professor.   

A paulistana Luiza Romanetto, analista sociocultural de ensino, quer mais participação dos professores na introdução da leitura como hábito aos alunos: “As crianças acabam não desenvolvendo o gosto pela leitura por falta de incentivo familiar. Durante a alfabetização é que se tem um maior contato com a literatura. Nesse contexto entra o fundamental papel do educador, que deve desenvolver variadas práticas de leitura e formar a opinião crítica dos jovens”. #Finança #Crise econômica