O novo álbum do Tame Impala, Currents, promete surpreender os fãs da banda.

O disco pode ser visto como uma fuga da zona de conforto. Ser uma metamorfose ambulante e como lidar com isso parece ser o tema central do álbum. As guitarras cheias de fuzz foram deixadas de lado e deram espaço a um ritmo mais funk ou soul, com bastante sintetizador. A psicodelia, espinha dorsal da banda, continua, porém mais sofisticada e menos suja.

Essa ideia fica bem clara na faixa "Yes, I'm Changing" em que Kevin Parker, líder da banda, canta num falsete junto à pedrada de uma batida no mar calmo de sintetizadores. "Yes, I'm older, yes I'm moving on and if you don't think it's a crime you can come along", sugere o vocalista.

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O abre-alas do disco, "Let It Happen", já mostra essa vontade de respirar novos ares. São 7 minutos de uma viagem interna, em que Parker repete como um mantra para deixar as coisas rolarem. A #Música dá uma boa perspectiva de como vai ser o álbum, as batidas pop surgem com força e segundos depois se misturam aos sintetizadores que dão um toque meio transcendental.

Logo em seguida, o interlúdio "Nangs" realça o caráter psicodélico com aqueles efeitos sonoros que só se ouve uma dimensão embriagada. "The Less I Know The Better" compõe a nova cara da banda. Se em "Elephant", um dos maiores hits do grupo, a ordem do dia eram os acordes de guitarra distorcidos, agora quem manda são as baladas oitentistas, meio funk, meio soul.

Não seria tão difícil comparar com o pop do Michael Jackson ou Prince.

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A pegada eletrônica de "Past Life" realça o tom de hip-hop da bateria, o refrão pegajoso e a voz falada e distorcida que dão um toque meio Daft Punk.

"Cause I'm a Man" é o queridinho do disco e com razão. A melodia te envolve e mantém um ritmo crescente até explodir em um refrão que vai soar em coros nos shows dos caras.

No geral, "Currents" é aquele amigo cabeludo do primeiro ano de faculdade que você reencontrou cinco anos depois com o cabelo cortado e barba cerrada. A personalidade basicamente é a mesma, mas agora o cara está com um visual mais "clean". E, claro, vai ter gente que vai torcer o nariz, afinal mudanças incomodam. Na música, então, nem se fala, a história só se repete. O que não falta é o fã "mas antes era melhor, hein".

Isso aconteceu com Bob Dylan, acontece com o menino Julian Casablancas e vai acontecer com outras figuras musicais. O importante é saber lidar com as dificuldades da mudança e o Tame Impala soube superá-las.

Ao acrescentar novos elementos, a banda fez um trabalho mais maduro, tanto no som quanto nas letras - onde a mudança continua a ser tema principal. E a maturidade do disco se dá no sentido de usar uma bagagem de experiências para saber lidar com uma nova estética, que fica muito bem traduzida em um pop sofisticado. #Entretenimento #Arte