No último dia 07 de julho, foram completados exatos 25 anos da morte precoce de Agenor de Miranda Araújo Neto, que ficou conhecido nacionalmente pelo famoso apelido de Cazuza. Nesta mesma data, no ano de 1990, aos 32 anos, este importante músico, letrista e poeta carioca falecia por complicações ocasionadas pelo vírus da AIDS que adquiriu alguns anos antes.

Várias homenagens estão sendo preparadas para o ano de 2015, dentre elas, um lançamento de um álbum com composições inéditas de Cazuza, que estavam guardadas durante todos esses anos por sua mãe, Lucinha Araújo. Grandes nomes da MPB e do rock brasileiro já gravaram canções para o álbum, dentre eles: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Rogério Flausino (Jota Quest), Seu Jorge, Xande de Pilares e Bebel Gilberto, amiga de infância do poeta carioca.

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O novo CD tem previsão para lançamento em outubro.

Além do álbum, dois livros escritos por Lucinha Araújo, em parceria com Regina Echeverria, serão relançados: "Só as mães são felizes" e "Preciso dizer que te amo" (ambos publicados pela Editora Globo). No caso do segundo livro, haverá conteúdo inédito acrescentado, sobretudo, com relação às inéditas composições de Cazuza que não constavam na primeira edição da obra.

O meteoro Cazuza

Cazuza apareceu para o cenário de #Música nacional durante os anos 80, quando o rock nacional emergiu para a grande mídia do país. Juntamente com o guitarrista Roberto Frejah, ele liderou o grupo Barão Vermelho, um dos mais importantes desta geração oitentista, que passou a ser rotulada posteriormente como BRock, com nomes como: Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Kid Abelha, Blitz, Capital Inicial, RPM, Ultraje a Rigor, Ira!, Lobão, Engenheiros do Hawaii, Biquíni Cavadão, Leo Jaime, dentre outros.

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O grande diferencial de Cazuza perante os seus colegas de geração era o seu enorme talento como poeta e letrista. Tanto no Barão Vermelho, a partir de 1982, quanto depois em sua carreira solo, iniciada em 1985, ele escreveu letras memoráveis como: "Todo amor que houver nessa vida" (gravada por Caetano Veloso ainda nos anos 80, o que despertou a atenção do pai de Cazuza, João Araújo, diretor da Som Livre, que até então não havia percebido o talento do filho para a música e a poesia), "Maior abandonado", "Solidão que nada", "Bete Balanço", "Brasil", "Preciso dizer que te amo", dentre muitas outras.

Fãs de várias gerações

Como todo grande artista, que tem a sua obra eternizada pelo tempo, o número de admiradores de Cazuza é grande e bem variado, principalmente no aspecto idade. 25 anos após a morte do ídolo, o músico autodidata Carlos Borges, 52 anos, afirma que ainda mantém a chama de Cazuza acessa dentro de si.

"Não tem como apagar, é muito forte. O que Cazuza fez e nos deixou como legado nunca morrerá.

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Tive o privilégio de ter vívido essa época quando jovem. Tinha 22 anos quando vi Cazuza subir ao palco do Rock in Rio em 85 e assombrar toda a plateia com uma performance monumental. Ele era o rockstar que tanto queríamos e precisávamos naquele momento de abertura política no país. E não era só atuação, era letra também. Era crítica e libertação ao mesmo tempo. Nunca vou me esquecer de Cazuza", garante Carlos, emocionado.

A publicitária Ana Patrícia Lins, 25 anos, nasceu exatamente no ano em que Cazuza morreu, em 1990. No entanto, se tornou fã incondicional do músico assim que teve o primeiro contanto com a música e a poesia dele, ainda durante a infância.

"Eu era bem pequena, tinha uns 9 anos quando ouvi um tio meu cantarolando uma linda música. Perguntei a ele que música era aquela e ele me disse que não era do meu tempo. Fiquei com aquela melodia na cabeça durante alguns anos, quando, acho que já com 15 anos, ouvi a tal música no rádio. Era 'Preciso dizer que te amo'. Esperei a canção acabar para o locutor dizer de quem era e foi assim que descobri que era de Cazuza. Já tinha ouvido falar nele antes, mas nunca procurei saber quem era. A partir daí fui buscar outras canções dele e percebi que já era fã desde aquele primeiro contato na infância. Levo as canções de Cazuza sempre para onde eu vou. É uma inspiração para mim", afirma Ana.