A internet foi um achado para os amantes do #Cinema. Afinal, enquanto “críticos” de jornais e revistas precisam agradar muito os distribuidores, para se manterem na lista de convidados das pré-estreias, qualquer navegante mais engajado consegue assistir aos lançamentos muito antes dos sabichões da imprensa. Melhor, essa antecipação revelou até mesmo para os menos entendidos que os críticos de cinema são, na sua grande maioria, puxa-sacos da indústria hollywoodiana e suas recomendações servem, em 99% dos casos, apenas para rentabilizar os enlatados norte-americanos. Quer se certificar do que está lendo?

Simples: daqui a poucos dias, “Missão: Impossível – Nação Secreta” começa a ser exibido nos cinemas brasileiros.

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O #Filme será cantado em verso e prosa, afinal uma superprodução de US$ 150 milhões – o equivalente a mais de meio bilhão de reais – tem que levar muita gente às salas de exibição para gerar o lucro esperado e, como sempre, a crítica fará sua parte conclamando a todos. Serão usados os adjetivos de sempre: “Espetacular!”, “Ação de tirar o fôlego”, “Diversão garantida” e por aí vai, pode anotar.

Quem já assistiu às cópias que circulam pela internet sabe que o quinto “episódio” da série desafia não só a gravidade, com o ‘imortal’ agente Ethan Hunt (personagem de Tom Cruise) agarrado à porta de um jato em plena decolagem, mas também o bom senso de qualquer pessoa de inteligência mediana. Tudo bem que, para os fãs do gênero, qualquer um dos “Missão: Impossível” serve de chancela para um enredo de espionagem recheado de sufocos e explosões.

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Mas até mesmo “Pinóquio” usa de analogias minimamente exequíveis para passar sua mensagem, enquanto “Nação Secreta” se apoia no imponderável.

Aos 53 anos, Tom Cruise mantém uma forma invejável, mas são tantos golpes e apertos que os espectador fica preocupado: “meu Deus do céu, esse homem não vai dar conta”, comenta minha mãe, vendo o personagem debaixo d’água, sem cilindro de oxigênio, totalmente entregue. Ela não sabe que ele aguenta qualquer coisa, que anda de moto na garupa do palhaço, canta “Babalu” em grego, desguia de qualquer arrego e, no final, ainda tem virilidade para sapecar a megera Ilsa Faust (vivida por Rebecca Ferguson).

Ela, que se junta aos veteranos Jeremy Renner, Ving Rhames e Simon Pegg no elenco, faz o estilo ‘Bond girl’ – sua entrada remete a Ursula Andress.

Cruise, por sua vez, parece uma mistura de Douglas Fairbanks e Harold Lloyd. Um dos elementos que dão credibilidade à série “Missão: Impossível” é o fato de o ator dispensar dublês para algumas acrobacias, mas eu não apostaria nele para repetir a cena da ponte levadiça de “Robin Hood”, com Fairbanks.

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Já a passagem da decolagem do jato é um absurdo tão grande que remete a Lloyd e seus disparates. Mas, para além do que é vertiginoso, “Nação Secreta” não tem a mesma credibilidade do primeiro episódio, dirigido por Brian De Palma – que está anos-luz à frente de Christopher McQuarrie.

No final de duas horas e 11 minutos, fica a impressão de que, entre o gênio do mal Solomon Lane, interpretado por Sean Harris, o político tolo vivido por Tom Hollander e o diretor da CIA Alan Hunley, interpretado por Alec Baldwin, o espião Ethan Hunt de Tom Cruise tem caixa, mesmo, é para tomar umas boas porradas. E só. #Entretenimento