Após publicação do MinC em defesa do Funk e legitimando este gênero como Cultura Nacional, uma série de comentários negativos foram publicados na página oficial do Ministério criticando a postura do mesmo. No entanto, publicações de apoio ao Funk também foram postadas, criticando, sobretudo, o pré-conceito da sociedade para com este gênero musical de origem periférica.

Para Carlos Bruce Batista, o preconceito com Funk tem sua raiz no histórico e permanente embate sobre as culturas produzidas por pretos e pobres no Brasil.

“Invariavelmente, o que foi produzido por pretos e pobres nesse país sofreu perseguições e censuras.

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Foi assim com o samba e hoje ainda é com o funk.  Esse preconceito é permanentemente alimentado com a criminalização das práticas sociais dos pobres. Isso perpassa por modelos de gestão de cidades em que o ambulante ou o artista de rua são vistos como causador da desordem. É criminalizado por essa gestão ordeira de cidade em que o que é produzido por uma determinada classe social é visto sempre com um olhar seletivo dos órgãos de repressão”.

“Esse preconceito com o funk é uma consequência desse olhar criminalizante. O funk embora seja o ritmo musical mais tocado no Estado do Rio de Janeiro, paradoxalmente é o que encontra mais dificuldades para ter seus bailes legalizados pelo poder público, sobretudo, quando esses  locais estão localizados nas áreas mais pobres do Estado. O exemplo mais claro disso são as festas que acontecem nos clubes da zona sul da cidade onde também tocam funk e são produzidas sem maiores implicações”.

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“Recentemente, por exemplo, um baile funk que seria realizado no clube CCIP de Pilares, na zona norte do Rio, foi simplesmente proibido de acontecer no momento em que o público, em sua grande maioria, pobre e preto, chegavam ao local para curtirem aquelas poucas horas de diversão e confraternização. Os motivos podem ser vários só depende do local em que ele vai ser realizado”, explica o organizador do livro “Tamborzão: A Criminologia do Funk” (Editora Revan).

Outra visão

Para MC Garden, representante do Funk Consciente, não é somente a camada elitista que critica o Funk. “Qualquer pessoa com algum senso crítico terá uma #Opinião bem formada sobre crianças cantando sobre sexo, crime e drogas. Eu não apoio esse tipo de #Música. O proibidão fala de uma dura realidade da periferia. Já no Funk Ostentação, os meninos se iludem, falam que estão de Ferrari, sem estar”.

“Isso acaba prejudicando um pouco o moleque que escuta, porque quando você fala para alguém que é preciso ter um boot de mil reais, para poder ser alguém, sem falar o que ele tem que fazer para ter, sem falar que ele tem que trabalhar, estudar, correr atrás, isso acaba alienando quem escuta e levando para o caminho mais fácil, o que não é bom. Por outro lado, eu acho que é válido falar que a gente pode vencer na vida, mas sem alienação, sem ilusão”, afirma.

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