O Prêmio Sesc de #Literatura foi criado em 2003 para novos escritores que mostrem qualidade o bastante para serem publicados. A parceria com a Editora Record possibilita o segundo objetivo: efetivação da publicação. Sheyla Smanioto, jovem de 25 anos, cujos textos têm força, foi a grande vencedora da edição 2015 na categoria romance. “Meu prazer é encontrar histórias que, acredito, precisam ser contadas.”

A paulistana viveu a adolescência em Caieiras (G. São Paulo) e formou-se em Estudos Literários em Campinas. Escreveu Dentro e Folha em 2012 e venceu o prêmio Sesc com Desesterro. Aprendeu a viver pelo próprio desempenho.

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Aos 18 anos foi viver e sobreviver: vendendo bolsas e escrevendo, vendendo cookies e escrevendo; hoje, trabalha com produção cultural e escreve.

Antes do concurso, participou do IV Concurso Jovens Dramaturgos, também iniciativa do Sesc, com No ponto cego. Seu nome também está na coletânea de jovens dramaturgos com a peça Salto Para. Produziu e criou o roteiro do webdocumentário Osso da fala, premiado pelo Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo, feito em parceria com Raphael Picerni.

Desesterro conta realidades diversas entrepercebidas em histórias de personagens que encantam. Menina sem nome e mulher com nome - que vai se transformando em fortaleza - vivem situações que as aproximam e as tornam únicas. O silêncio do pensamento da autora grita em vozes fortes com eco em cada página. O leitor pode perceber a menina sem nome dentro da mulher com nome.

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Sheyla escreve por e com a paixão desde sempre. “Neles [nos escritos primeiros e ao longo dos seguintes], estão muito claras as minhas ambições [...]. São herméticos, não se comunicam, imaginam um leitor que não existe [... com] temas escabrosos e viradas meio trágicas.”

A autora compareceu à Festa Literária Internacional de Paraty - Flip, evento que inseriu o país no circuito mundial da Cultura. A participação teve momentos de reconhecimento: bate-papos com leitores, tietagem, autógrafos etc.

Baseia-se em indignações pré-sentidas para gerar “textos gritados” do silêncio de seu mundo - e “gritados” é termo usado por Marcelino Freire, escritor pernambucano e curador de cultura, para se referir à autora. Mas, Sheyla leva essa indignação adiante após pensá-la literariamente e encontrar a melhor forma de torná-la presente. Não somente no conteúdo, mas no fervor, na língua.

Seu conto Dobradinha tem jeito diferente. Lê-lo é ouvi-lo de alguém e não captá-lo em leitura. Há ritmo notável de conflitos que não são apenas dela; não que os transfira para o leitor, mas que o divide com eles.

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Ao fim, quer-se correr e oferecer comida à personagem centro.

Sheyla trabalha atualmente em duas obras. “Uma de contos, Selfie service, selecionado pelo Proac Criação Literária 2014. O processo e alguns dos contos estão sendo divulgados na internet. É uma experiência bem diferente da do romance, são ‘meio monólogos’ e têm em vista o limite entre a realidade e a ficção. (...). Também trabalho no meu próximo romance; o projeto se chama ‘O mal entendido’. Ando cismada com a imagem da carpideira, com a certeza de que escrever é uma forma de chorar os mortos, os meus e os dos outros, e dessa vez resolvi chorar os mortos das chacinas, os mortos por ‘mal-entendidos’, os tragados pela interpretação da lei", destacou.

Em um de seus textos mais marcantes, Sheyla vê um tema forte: “A morte é um desencontro. É um gato olhando do outro lado. A gente vive vive vive a gente vive vive morre. Quem fica junta os pedaços. Do outro lado, um gato brinca.com eles. A gente vive vive vive a gente vive aprendendo a morrer. Os cachorros, é disso que nos distraem.”  A mulher tem um caminho no meio do qual há certamente muitos prêmios. Especialmente o mais valioso: a admiração dos leitores - reais e ideais.

A cerimônia de entrega e premiação em si está programada para novembro deste ano.

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Vídeo íntimo de Iozzi

Consequência do excesso de conecçãopsocial? #Livros