Fernando Neko, crítico de cinema e resenhista do site #Cinema a Dois, conversou com a Blasting News Brasil e destacou pontos que mais chamaram sua atenção em 'Narcos'. A íntegra da entrevista pode ser lida abaixo:

Blasting News Brasil: José Padilha, roteirista da série, também esteve à frente de Tropa de Elite, fenômeno de sucesso aqui no Brasil ao lado de Wagner Moura. Ao assistir Narcos, você sentiu uma espécie de "Tropa de Elitização" da trama em desfavor até mesmo das questões do narcotráfico?

Fernando Neko: É algo que marca o trabalho de José Padilha, inclusive quando vemos um Robocop de “farda preta” em seu remake.

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Temos que entender como identidade visual e assinatura do diretor. Afinal ninguém reclama do The Spielberg Face, quando Steven Spielberg marca uma cena dramática com um close, ou quando Martin Scorsese coloca algum de seus personagens falando com o espelho. Portanto temos que aprender a encarar isso do aspecto certo, visto desta forma, isso não interfere em nada na trama, seja de maneira negativa ou positiva, é apenas uma assinatura.

BN: O formato adotado, com um personagem-narrador, no caso o agente americano Murphy, te agrada?

FN: Me incomodou, porém se paramos para analisar a quantidade de material original, de fotos e vídeos da época, apresentada durante boa parte das narrações, isso se torna quase que justificável. É como um guia turístico, o floreio e a narração sempre acaba te tirando da imersão, mas é importante para transmitir informação.

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BN: Na Colômbia, alguns jornalistas e críticos literários locais elogiaram a série, mas disseram que "aqui não funciona". O fato de outras produções sobre Escobar já terem sido feitas lá poderá prejudicar o desempenho de Narcos no país?

FN: Sem dúvidas, deve ser um acontecimento do qual eles já estão saturados. Assim como por muitas vezes nos pegamos saturados por alguns temas abordados em nossas produções nacionais. Então acho que sim, prejudica, cria comparações e deve atrapalhar o sucesso da série na Colômbia.

BN: Para finalizar, os aspectos positivos, negativos e uma avaliação final de Narcos.

FN: Narcos marca muito bem os trabalhos de Wagner Moura e José Padilha para a crítica americana, e tomara que isso mantenha o mercado americano aberto para os brasileiros. A série apresenta muitas matérias originais da época, tem uma fluidez muito boa, utiliza um flashforward logo no primeiro episódio, deixando a ansiedade e curiosidade em alta no espectador, enfim são muitos aspectos positivos. Mas pode ser que a narração do personagem e a falta de materiais originais do lado do agente e do exército, tirem um pouco da imersão. #Entretenimento