Nesta quarta-feira, 23, aconteceu no Rio de Janeiro o último dia do Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento, promovido pelo Ministério da Cultura como parte das comemorações do 70º aniversário da UNESCO.

Desde a última segunda-feira, 21, o Cine Odeon, no centro da cidade, recebeu inúmeros pesquisadores, professores e ativistas culturais para debater desafios e propor soluções em torno da pluralização da cultura no país.

Diversidade cultural, comunicação e participação social

O primeiro debate do dia foi mediado pela secretária de Diversidade Cidadania e Diversidade, Ivana Bentes, e teve como painelistas o antropólogo e professor da UnB, José Jorge de Carvalho, e o fundador do Observatório das Favelas, Jailson Silva.

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"Para mim, o desafio fundamental da cultura é ampliar o repertório e a criação de práticas que levem à convivência com o outro e, a partir disso, constitua subjetividades que também combatam opressões", afirmou Jailson ao discursar sobre a importância de levar às comunidades carentes mais recursos para produção artística.

José Jorge de Carvalho falou sobre os desafios do  fortalecimento da oralidade. Ele acredita que é preciso mais valorização aos conhecimentos tradicionais, uma vez que as mídias sociais podem dar amplitude, porém, se mal utilizadas, podem dificultar a perpetuação das manifestações culturais.  

Diversidade cultural e educação

No mesa “Diversidade Cultural e Educação”, a secretária de Educação e Formação Artística e Cultural do MinC, Juana Nunes, a musicista Lydia Hortélio e o vice-diretor de pesquisas do Instituto Cubano de Pesquisa Cultural Juan Marinello, Rodrigo Espina Prieto, debateram a relação da escola com a diversidade cultural.

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"O ser humano só é inteiro quando brinca. Na escola de hoje, partimos só da mente, mas a gente é inteiro. Começa pelo corpo", disse Lydia Hortélio ao discursar sobre como uma escola que só prepara para o vestibular pode formar indivíduos com deficiências em relação à cultura.

Diversidade cultural e audiovisual

Giselle Dupin, da SAv/MinC; a diretora da Ancine, Rosana Alcântara e Silvia Cruz,  fundadora da distribuidora Vitrine Filmes, discutiram novas perspectivas para a quebra dos monopólios no mercado de audiovisual e alternativas para impulsionar novas produções que contemplem a pluralidade cultural do Brasil.

Cultura e cidades

No último debate do dia, o secretário de Políticas Culturais, Guilherme Varella, a arquiteta e pesquisadora Raquel Rolnik e o advogado e especialista em urbanismo, Edésio Fernandes falaram de  questões de mobilidade urbana, a gentrificação, a exclusão e as políticas culturais como eixos estruturantes das cidades.

Edésio Fernandes discursou sobre os desafios da inclusão nas cidades.

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Para ele, é preciso entender a produção social do espaço urbano, os direitos fundiários e a inserção da questão de gênero no debate. Raquel Rolnik concordou com ele. Ela acredita que a política urbana que Brasil prioriza construiu cidades excludentes. “Não por falta de planejamento e sim por conta de um planejamento que já foi excludente”, disse.

O Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento foi transmitido ao vivo pela internet. O encerramento acontece às 20 horas no Circo Voador, onde os cantores Céu e BNegão se apresentarão. #Rio Cultura #Arte