O #Cinema é uma #Arte em constante evolução, não há o que negar. O que faz esta expressão cultural conquistar tantos adeptos é a incrível capacidade criativa e de adaptação ao desenvolvimento tecnológico, desde os primeiros vídeos em preto e branco até as animações 100% virtuais dos dias atuais.

Mas será que esta sede por novidades ainda está tão viva hoje quanto estava setenta, oitenta anos atrás? O tempo e o dinheiro gasto em tecnologia estão consumindo a capacidade de criar conteúdo original no cinema?

Particularmente, não acredito em falta de qualidade dos diretores, roteiristas, atores ou de qualquer função que seja necessária para uma produção cinematográfica.

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O que prejudica a criação de conteúdos originais, e que se abuse de um imaginário já existente, é a combinação mercadológica entre aclamação do público com lucros. A associação de técnicas avançadas com estratégias de divulgação perspicazes permite a entrega de um ótimo produto, que renderá milhões aos cofres dos estúdios, seja lá qual for o assunto.

Em uma pesquisa rápida, descobre-se que apenas cinco dos 20 filmes mais bem classificados na plataforma eletrônica IMDb são originais – dez são adaptações e os outros cinco ainda são continuações de adaptações. Apesar de lucrativas, estas opções colocam em dúvida o papel real do cinema e levanta novamente questionamentos históricos: o que é arte e o que é produto?

Produção industrial x qualidade

O conceito de indústria cultural vem da Escola de Frankfurt, quando os autores Theodor Adorno e Max Horkheimer passaram a questionar o papel da indústria de massa como ferramenta lucrativa.

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Desta forma, o público se tornaria incapaz de realizar julgamentos confiáveis, tendo em vista a grande carga de manipulação que era exercida sobre os indivíduos.

O paralelo que se traça com o cinema é o seguinte: será que os estúdios, hoje, se preocupam em estimular uma produção cultural singular, que se reconhece como a sétima arte, com o poder de influenciar a vida dos espectadores e levantar questionamentos em um nível individual nas pessoas?

O problema é que não dá para quantificar o quanto o foco nitidamente voltado para os lucros pode tirar o papel de “arte” do cinema. Adaptar e dar continuidade pode ser uma fase que, no futuro, será apenas mais uma das muitas que o cinema vai viver. O problema é que hoje estamos sendo bombardeados e somos nós os encarregados de assistir a todos e também de reclamar.

Neste sentido, a impressão é que teremos um “Atividade Paranormal” por ano, sem contar os filmes da Marvel e a fase recente da Pixar – quebrada com “Divertida Mente”. Saber que "Cinquenta Tons de Cinza" terá duas sequências filmadas simultaneamente já dá arrepios também.

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Os responsáveis pelos blockbusters podem argumentar que, com o alcance colossal que os filmes têm atualmente, eles ajudam um público que, normalmente, não teria acesso a estes produtos. Críticos rebatem com o pressuposto de que não se quer mais que os espectadores reflitam com as produções, e apenas as consumam.

Empate na academia

O próprio Oscar, maior premiação do cinema mundial, faz questão de não deixar “cinema-arte” e “cinema-pipoca” se misturarem indefinidamente. Nos últimos 20 anos, temos um empate entre roteiros originais e adaptações: 10 x 10. Os filmes de super-herói, carros-chefes desta “crise de originalidade”, dificilmente figuram entre as principais categorias, assim como os de ação e terror.

No entanto, só existe uma certeza nesse "bafafá" todo: quem define o sucesso de uma fase é o próprio público. Se é pela veia capitalista de produção e consumo de massa, que seja. Teremos mais “Vingadores” por aí. Mas se exigirmos um pouco mais de esforço de mentes tão talentosas, podemos ser agraciados com mais “Birdman”, “Grande Hotel Budapeste”, “Ela”, “Clube de Compras Dallas”, dentre outros.

Quem sabe a próxima fase do cinema não rogará pelos devaneios artísticos de David Lynchs da vida, e muita gente vai implorar pela volta dos quadrinhos? #Filme