De acordo com Associação Fonográfica Norte-americana (RIAA), a venda de discos de vinil nos Estados Unidos apresentou crescimento de 52% apenas no primeiro semestre de 2015. Nesse período, foram vendidos mais de 9,2 milhões de álbuns, com U$S 222 milhões em receitas, correspondendo a aproximadamente 30% das receitas com mídias físicas, que incluem Cds e Dvds.

Os dados apresentados, segundo a associação, colocam o setor de vinis como o que mais cresceu no último ano no mercado fonográfico dos Estados Unidos, mais até que os serviços de streaming. Em 2015, nos seis meses iniciais, o valor arrecadado com ad revenue (publicidade) nos serviços de #Música sob demanda gratuitos foi de U$S 162 milhões, receita que é um quarto menor do que a dos vinis no mesmo período.

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Além do valor menor em arrecadação, os streamings gratuitos também cresceram menos: 27%.

Por outro lado, a situação se modifica na comparação com receita das assinaturas dos serviços de streaming, que geraram um faturamento que é superior ao dobro da receita dos vinis no mesmo período: US$ 447 milhões, e um crescimento menor de 24%.

O mercado brasileiro

Segundo João Augusto, consultor e sócio da Polysom, única fábrica de vinis no Brasil e na América Latina, os números apresentados nos Estados Unidos não são uma surpresa. “As pesquisas de RIAA se restringem ao território americano e não surpreendem porque o crescimento de 30% a 50% já vem ocorrendo há cerca de cinco anos. O Brasil está acompanhando bem de perto”, afirma.

Só no ano passado a Polysom registrou, entre os meses de março e junho, um aumento nas vendas de mais de 126%.

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A explicação para esse grande crescimento, aponta João Augusto, estaria na situação do mercado brasileiro de vinis que praticamente inexistiu por alguns anos. “No Brasil, percentualmente o vinil cresce mais porque esteve parado muito tempo, pela falta de fábrica, desde o fechamento da antiga Polysom em 2007. E ainda temos uma séria questão de custo alto a resolver. Mas, o público está respondendo muito bem.”

Segundo o colecionador Diego Kloss, do blog De Volta Para o Vinil, a atenção do mercado atual para os vinis é algo positivo, já que as gravadoras estão percebendo a existência de um novo nicho e o aumento na demanda pelos vinis. "Para quem coleciona isso é bastante positivo, já que podemos ter acesso aos álbuns atuais e também aos mais antigos de grupos e intérpretes renomados", afirma.

Comparação desigual

“Quem olha no primeiro instante e não nota que aquela receita é de ad revenue (venda de anúncios), pensa que o vinil está vindo com tudo e o serviço de streaming não está com nada”, afirma Marcos Chomen, Business Development Latin America da Cd Baby, maior distribuidora de música independente em formatos digitais do mundo.

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Para ele, em números absolutos, não é possível comparar a venda de mídias físicas e os serviços de streaming que, segundo a RIAA, já representam um terço da receita total da indústria musical norte-americana. “Mundialmente, o serviço de streaming cresceu 39%. Ele está crescendo e crescendo muito. É para a grande massa de usuários, é para todos. Hoje todo mundo anda com um aparelho móvel na mão, então ele vai ouvir ali”, afirma. Já o vinil, segundo Chomen, “é para se tocar em casa” e estaria mais restrito a um nicho de pessoas que gostam do som nostálgico.

Além disso, ele complementa que é preciso levar em conta o alto preço unitário das peças em vinil, que tornam inviável a sua grande popularização, tornando-o mais um produto de divulgação do que propriamente comercial. “Na verdade, o vinil é hoje muito mais um merchandising da banda do que um álbum de lançamento. Elas pensam: 'Vamos lançar tudo junto e essa aqui vai ser uma peça de merchandising para se guardar – e até ouvir, claro.'", conclui.