Na última quinta-feira (08), foi anunciado o vencedor do prêmio Nobel de Literatura. No entanto, em 2015, contradizendo as estatísticas dos anos anteriores, temos uma vencedora: Svetlana Alexievich, escritora bielorussa de 67 anos.

Svetlana é a 14º mulher a receber o Nobel, que existe desde 1901.  Sua vitória tem um peso ainda mais simbólico após 2014, um ano marcado pelo debate em torno do machismo presente no meio literário.

Tudo começou quando Joanna Walsh, escritora e jornalista, resolveu priorizar mulheres em suas leituras durante o ano de 2014 e, assim lançou a hastag "ReadWomen2014"". A ideia de Walsh é bastante simples: Um ano inteiro lendo apenas escritoras mulheres.

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Mas o que era um projeto pessoal - ainda que compartilhado publicamente -, logo se tornou um debate de alcance mundial. A hastag rapidamente se espalhou pelas redes sociais, se tornando, mais do que um simples projeto de leitura, uma campanha coletiva para valorizar as vozes femininas na #Literatura

Se em 2014 as escritoras questionavam o sexismo presente em nos hábitos de leitura, em 2015 a questão avança alguns passos. Agora aponta-se que o problema vai além da escolha do púbico, pois começa dentro do meio editorial, pois há um número expressivamente maior de autores sendo publicados do que de escritoras. Um exemplo é a própria Svetlana Alexievich que, apesar de ter vencido o Nobel de Literatura, ainda não tem suas obras publicadas no Brasil. 

Pensando nisso, a escritora Kamila Shamsie propôs que as editoras publicassem exclusivamente mulheres durante um ano como uma tentativa de corrigir a desigualdade de gênero na produção editorial.

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A proposta foi aceita pela And Other Stories, uma pequena editora, que  anunciou que  2016 será o ano de publicar mulheres.

No Brasil, editoras Kayá e Alpaca antecederam a sugestão de Shamsie e já dedicam se dedicam somente a produção de livros escritos por mulheres. Há, na verdade, diversos projetos que buscam por maior representatividade das mulheres no círculo literário do país, como o clube de leitura Leia Mulheres  que acontece mensalmente em diversas cidades, a campanha #KDMulheres que se iniciou na FLIP no ano passado e revistas virtuais construídas exclusivamente por autoras como Capitolina, Ovelha e Azmina. 

Dentro desse contexto, a vitória de Svetlana Alexievich é uma importante conquista para quem reivindica mais espaço no meio literário. Contudo, os números ainda demonstram uma grave discrepância. Se em 114 anos só 14 escritoras foram premiadas com o Nobel de Literatura, provavelmente, ainda muitos anos serão necessários para transformar essa desigualdade.