O filme Aliança do Crime (Black Mass no título original) saiu na última quinta-feira (12/11) nos cinemas brasileiros. Arrecadando mais de $22,5 milhões na primeira semana, espera-se que seja um caso de sucesso no país. Johnny Depp faz o papel de Whitey Boulger, um dos mais #Famosos líderes do crime de Boston, em sua evolução no mundo do crime.

O argumento relata uma aliança feita entre o criminoso e o agente do FBI John Connoly para troca de informações por proteção policial. A história de Whitey é, em sua maior parte, extremamente irônica e repleta de humor negro, principalmente pelo fato de James Bulger (verdadeiro nome do criminoso) ter concordado em ser informante apesar de seu ódio pelos “ratos”, palavra que utiliza para chamar qualquer um que venda informações do meio criminoso.

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Nas palavras do personagem no filme, ele considerava seu acordo com a polícia um negócio e não venda de informações.

Em geral a história é bem escrita e a atuação é de boa qualidade, especialmente Johnny Depp que impressiona ao fazer um personagem maldoso e sem escrúpulos. Para quem está acostumado a ver Depp em papéis sarcásticos e bem-humorados como o Chapeleiro Louco de Alice no País das Maravilhas ou o pirata Jack Sparrow, esse papel será um verdadeiro espanto. O ator tem até uma boa chance de concorrer ao próximo Oscar de acordo com o público e críticos.

No entanto o filme deixa a desejar em algumas partes referentes ao enredo. Primeiramente a introdução que é feita aos personagens principais é demasiado longa, dura quase 20 minutos e tenta mostrar detalhes da vida de Whitey Boulger, seu irmão senador Billy Boulger e o agente John Connoly.

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Tais cenas poderiam facilmente ser reduzidas ou, já que existe uma narração feita durante um interrogatório da polícia a pessoas ligadas a Boulger, poderia ter se resumido a rápidas falas do narrador.

Também existe uma exploração pequena do vasto número de personagens que aparecem no filme. No departamento do FBI, Connoly rouba grande parte das cenas, seus colegas começam a ganhar importância ao marco de 1 hora e meia de história, quando um novo agente começa a investigar o caso de Whitey.

Outra decepção foi a pequena relevância que Billy Boulger ganha no longa. Apesar de ser uma parte extremamente importante na vida do criminoso de Boston, o senador permanece ignorado, as cenas em que aparece servem meramente para mostrar o lado mais humano do irmão. Billy, feito por Benedict Cumberbatch, é mostrado como a figura do bom homem americano, trabalhador, casado e com filhos; é seu amor à família que o mantém ao lado do Boulder fora da lei e inclusive o leva a perder o cargo político, como é explicado ao fim do filme.

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Personagens femininas como as esposas de John Connoly e de Whitey Boulger receberam ainda menos atenção que Billy. A mulher de Boulger aparece somente na primeira metade do filme e sua única parte importante no enredo é provocar a ira do marido ao decidir pela eutanásia do filho do casal, que encontrava-se em coma.

Marienne, esposa de John Connoly, é um pouco mais importante, porém igualmente deixada de lado em partes. Ela revolta-se com o comportamento de John ao ficar próximo demais de seu informante e até convidá-lo para jantar em casa e passa a ignorá-lo, mostrando o quanto Connoly sacrificou por seu amigo criminoso.

Mesmo com todas as falhas o filme ainda é ótimo e vale a pena o ingresso. A história é intrigante e trabalha com o tema maquiavélico clássico de fazer um mal (no caso, proteger Boulger) para conseguir um bem maior (acabar com uma família da máfia italiana, um aspeto que inclusive poderia ter sido melhor explorado). #Cinema #Arte