Depois de muita espera, 'Jogos Vorazes: A Esperança - O Final' chegou. O desfecho da saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) mobilizou uma legião de fãs, alguns que já conheciam a conclusão pelos livros que inspiraram a franquia, outros que aguardavam ansiosamente pelos acontecimentos finais.

(Vale lembrar que esta análise é do #Filme que estreou no dia 19 de novembro em todo o país. Não entrarei no mérito dos livros)

Com certeza a produção não pode ser classificada como ruim. Por ser a segunda parte da divisão do último livro, praticamente toda a ação foi reservada para si. Após uma primeira parte morna, com informações importantes mas sem a intensidade que estávamos acostumados até então, 'Esperança - O Final' entrega sequências de ação muito boas. 

A partir de uma visão geral, este é um bom final para uma boa série de filmes.

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O problema é que, apesar de satisfatório, quase tudo é previsível. Falta aquela sensação de descoberta, de assombro por uma reviravolta - que até existe, mas convenhamos, todos sabíamos o que iria acontecer. 

Outro peso negativo é a desconstrução de aspectos que vinham sendo trabalhados desde o início da franquia. Katniss, essencialmente, era uma personagem feminina como nunca vimos no #Cinema. Ela negava o heroísmo atribuído a sua figura, fugiu até onde foi possível do centro da guerra, era jovem e confusa em relação aos próprios sentimentos - principalmente por causa da manipulação que sofria constantemente por causa dos Jogos. Mas a atmosfera criada ao redor dos Vitoriosos, traumatizados em um nível inimaginável pelas experiências passadas, é praticamente esquecida com um "final feliz" que já estávamos esperando, mas foi mais abrupto do que o necessário.

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A representação de uma Katniss serena e forçadamente satisfeita com a vida que conquistou depois de tudo contrasta muito com a determinação e rebeldia de toda a franquia. A busca pela felicidade e pela paz é mais do que legítima, mas seria muito mais consistente se o diretor Francis Lawrence tivesse concluído com o "caminho", e não com o "destino final" desta busca. Haymitch (Woody Harrelson) talvez seja o retrato mais fiel do que realmente é um Vitorioso: destruído por dentro, mas capaz de perceber onde estão os fios de esperança nos quais é possível se agarrar. Assim, se Katniss fosse retratada como uma versão mais jovem de Haymitch - e com menos álcool envolvido -, o final teria sido mais... humanamente possível.

Porém, o aspecto mais intragável foi, sem dúvida, o triângulo amoroso. Lembrou muito (muito mesmo) a melosidade sem graça de 'Crepúsculo'. Nos filmes anteriores, Katniss foi aquela que tomava as rédeas e era decididamente quem importava, mas, desta vez, ela parecia confusa e dependente demais dos "homens da sua vida".

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Tanto que, em uma cena muito ruim, Peeta e Gale protagonizam uma conversa constrangedora sobre o futuro da relação. Eles poderiam ser muito bem aproveitados em outros núcleos, mas este drama digno de novela mexicana acabou com suas possibilidades. 

Porém, nem tudo é ruim por aqui. Na verdade, existem aspectos em 'Jogos Vorazes' que são excelentes. O questionamento moral entre o que é ser "do bem" e "do mal" é um dos dilemas mais presentes na trama. Até que ponto devemos justificar os meios escusos com um bem comum? Personagens centrais são assolados por essa dúvida, o que é bastante interessante.

Além disso, a manipulação da imagem da protagonista para fins de contrapropaganda e os discursos pró-governo do Presidente Snow são incrivelmente atuais. O abismo social que existe entre a Capital (com seus moradores caricatos e alienados) e os distritos (com uma revolta contida pelo medo de repressão) é igualmente compatível com a sociedade contemporânea. Vale muito a pena perceber a importância dos discursos em tempos de guerra - que soam muito familiares principalmente após os ataques em Paris e as violentas respostas do governo francês.

Apesar dos problemas com o desfecho, 'Jogos Vorazes' é, sem dúvida, uma franquia excelente. #Entretenimento