O Tribunal Regional Federal da 4ª Região condenou a Produtora ‘Furacão 2000’ a pagar uma multa estipulada em R$ 500 mil pelo lançamento do hit “Tapinha não dói”, há 14 anos.

A canção fez bastante sucesso, e gerou muita polêmica, no Brasil em 2001, nas vozes da dupla de MC’s, Naldinho e Bela, que “estouraram” no país durante o início da década passada, quando o Funk Carioca viveu a sua segunda grande fase de sucesso nacional, com nomes como: Bonde do Tigrão, MC Serginho e Lacraia, Tati Quebra-Barraco, dentre outros.

A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Federal no ano de 2002, a pedido da ONG Themis (Movimento de Advogadas Feministas do Rio Grande do Sul).

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Naquela oportunidade, foi decretada a condenação da Produtora, porém, a ‘Furacão 2000’ recorreu e reverteu a sentença, gerando novo recurso, que acabou se arrastando durante 13 anos, até o final do último mês de outubro, quando o TRF da 4ª Região decidiu mais uma vez pela condenação.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, reveladas nesta segunda-feira, dia 02 de novembro, a alegação do juiz para a sentença final condenatória foi de que a canção apresenta versos que incitam a violência contra a mulher, como, por exemplo, “se te bota maluquinha, um tampinha vou te dar”, dentre alguns outros.

No entanto, a assessoria da ‘Furacão 2000’ já comunicou à imprensa que vai recorrer novamente. Com isso, o caso deve ir à Brasília para uma nova e decisiva fase do processo.

Condenação divide opiniões

Como era de se esperar, a condenação judicial da Produtora ‘Furacão 2000’ pelo hit “Tapinha não dói” dividiu opiniões e acirrou o debate no país sobre censura musical. 

Para a artista plástica Eloá Tavares, 39 anos, a decisão pela condenação foi correta e não representa nenhum tipo de censura no país.

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“Não acho que se trata de censura. Acredito, sim, em uma prestação de serviço social. Esse tipo de #Música cria uma convenção na sociedade de que é normal bater em mulher. Tanto o homem, quanto a própria mulher, passa a ver com naturalidade esse tipo de agressão. É por isso que muitas mulheres acham um absurdo denunciar o agressor, pois acham ‘normal’ apanhar de homem. É como se fosse uma tradição que não deve ser contestada. Músicas como esse funk são um desserviço a sociedade, pois reafirmam um machismo que deve ser combatido, sempre”, afirma Eloá.

Já a advogada Paula de Albuquerque, 42 anos, acredita que todo caso deve ser muito bem estudado, para que a condenação não seja baseada apenas em questão de gosto ou ideologia.

“Sou mulher e defendo com todas as garras a luta contra o machismo. Porém, como advogada, preciso sempre me policiar para não me deixar levar por instintos de gosto ou de militância política. No caso especifico desse funk que foi condenado, sinceramente, acho um tanto um quanto exagerada a condenação.

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Não consigo apostar na censura como uma forma de educação das pessoas. A liberdade de expressão deve sempre vir em primeiro plano, mesmo em casos considerados polêmicos. Sei que minha opinião desagrada algumas mulheres, mas é nisso que acredito”, diz Paula. #Justiça #Blasting News Brasil