Foi publicado ontem, quarta-feira, dia 04 de novembro, no Diário Oficial da União, os nomes dos vencedores, e os títulos das suas respectivas obras, do “troféu literário”, premiação realizada todos os anos pela Biblioteca Nacional. O prêmio visa valorizar e incentivar a produção literária brasileira.

Na edição deste ano, nove categorias de premiação foram criadas pelo Prêmio Biblioteca Nacional. E, um fato que despertou a atenção da crítica especializada, foi que, sete, destas nove categorias, foram vencidas por obras literárias publicadas por editoras independentes, o que comprova a força que este tipo de publicação vem tendo no Brasil, sobretudo, nos últimos anos.

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Para o jornalista e crítico literário Jonas Vasconcelos, o sucesso das editoras independentes no Prêmio Biblioteca Nacional 2015 é reflexo de uma maior atenção dada por estas editoras para escritores iniciantes e muito talentosos.

“Geralmente, quando o escritor iniciante procura por uma editora já conhecida, na tentativa de publicar seu primeiro livro, ele encontra a ‘porta fechada’, pois estas editoras maiores visam muito o lucro das vendas e acabam por somente publicar #Livros de escritores que, como dizem no linguajar das ruas, ‘já tem nome’, ou, ‘sobrenome’, como muitas vezes ocorre no Brasil. Daí, muitos talentos são excluídos, mas acabam encontrando nas editoras menores, um lugar para depositar seus escritos’, explica o jornalista e crítico.

Os independentes premiados

Na categoria conto, o livro premiado foi “Sem Vista Para o Mar”, de Carol Rodrigues, publicado pela Editora Edith.

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Carol também concorre com a mesma obra no Prêmio Jabuti, maior premiação literária do Brasil.

Já na categoria poesia, o livro vencedor foi “A Dimensão Necessária”, de João Filho, publicado pela Editora Mondrongo, que tem sede na cidade de Itabuna, no interior da Bahia, e já vem se destacando há alguns anos com publicações independentes de diversas obras.

A categoria ensaio foi dividida em duas premiações. Na primeira, ensaio social, o “troféu literário” foi para o livro “A Casa da Vovó”, de Marcelo Godoy, publicado pela Editora Alameda, e que narra crimes da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Na segunda, ensaio literário, o prêmio foi para “A Ficção de Deus”, de Gustavo Bernardo (Editora Annablume).

As outras premiações foram para: melhor tradução, dada a Guilherme Flores, pelo trabalho em “Elegias de Sexto Propércio” (Editora Autêntica), melhor projeto gráfico, para Frederico Tizzot, por “A Mão na Pena” (Editora #Arte & Letra), e melhor livro infantil, concedido a “Hortência das Tranças”, de Marcelo Lelis (Editora Abacate).

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“Ainda sobre o sucesso das editoras independentes nesta premiação, acredito que o fato destas publicações estarem abertas aos novos escritores possibilita a elas catalisar de maneira menos burocrática o que de mais interessante e criativo exista hoje na produção literária brasileira. Acompanho de perto a #Literatura independente e sei que existe muita coisa boa sendo feita no Brasil e são estas editoras, tão independentes quanto seus autores, que faz hoje o importante papel de impedir que o jovem escritor desista de publicar sua obra”, garante Jonas Vasconcelos.

As duas únicas categorias vencidas por grandes editoras foram a de melhor romance, vencida por “Turismo Para Cegos” (Companhia das Letras), de Tercia Montenegro, e literatura juvenil, na qual o troféu foi dado à obra “A Linha Negra” (Editora Scipione), de Mário Teixeira.