Começou ontem, dia 3 de novembro, o Encrespando 2015, seminário internacional promovido em parceria entre o Departamento de Direito da PUC-Rio e o Coletivo Meninas Black Power, que busca ampliar a discussão sobre a realidade das mulheres negras, refletindo a Década Internacional dos Afrodescendentes (ONU) 2015-2024.

A abertura se deu na manhã de ontem com a presença da Profa. Dra. Helena Theodoro Lopes, carinhosamente chamada de Dona Helena, que trouxe emoção a todos os presentes ao falar sobre a luta histórica dos afrodescendentes na América Latina e no Caribe, sobre a perseguição religiosa e o papel da mulher negra neste contexto.

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Teorias e práticas

O Coletivo Meninas Black Power busca incentivar a consciência do valor das características naturalmente negras, como o cabelo crespo, e do valor que cada mulher negra deve possuir aos seus próprios olhos.

A produção acadêmica e as tradições culturais negras dividiram o espaço de forma complementar e, como uma bela tapeçaria, construíram um ambiente de trocas e aprendizado entre os participantes.

“É importante estarmos todas aqui juntas e saber que estamos lutando”, afirmou a estudante Rhaysa Ruas, graduanda de direito da UERJ e membro do Coletivo Preto Patric Lumumba. O clima de familiaridade se constrói pelas histórias parecidas e as dores compartilhadas. “É o sofrimento que nos une”, disse a mestranda de antropologia social da UFF, Aline Maia Nascimento.

Sobre luta e resistência

O Coletivo Nuvem Negra de estudantes da PUC-Rio ressaltou a existência do racismo dentro das universidades.

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Durante a tarde, grupos de debate se reuniram para discutir questões como a construção do feminismo negro na América Latina, o racismo institucionalizado, a repressão social histórica e o papel da mulher negra na formação da sociedade brasileira.

“A mulher negra se torna um indivíduo político quando toma consciência da sua identidade”, declarou Ana Carolina Mattoso, mestranda de direito da PUC-Rio.

Celebração da cultura negra

Durante os debates, foi lembrado o samba da Portela de 1972, Ilu Ayê (terra da vida).

“...Tempo passou ô ô/ E no terreirão da casa grande/ Negro diz tudo que pode dizer/ É samba é batuque é reza/ É dança é ladainha/ Negro joga capoeira/ E faz louvação à rainha”

"Ter o 'Encrespando' na PUC é um momento emblemático. Reunir em uma universidade de prestígio mulheres negras acadêmicas, militantes em suas experiências e discursos é algo que não acontece sempre. Juntas, podemos nos fortalecer, nos reconhecer e ser exemplo e representatividade para outras meninas negras. As discussões são enriquecedoras e urgentes. Ser mulher negra é ser sujeito político, é lutar", diz Ana Carolina Mattoso

O seminário continua até o dia 5 deste mês. #Rio Cultura #Comportamento