Certo, não vamos entrar no mérito da questão sobre o tédio e a modernidade, ou sobre o isolamento pós-"telefones espertinhos". É fato que, cada vez menos, as pessoas se entregam aos momentos de ócio e contemplação. Então, pensando nessas almas inquietas e impacientes, e na tentativa de afastá-las dos smartphones, tablets, leitores de e-books e outros eletrônicos, a editora Short Édition, em Grenoble, cidade no sul da França, próxima a Lyon, criou a máquina de histórias

Elas podem ser lidas em 1, 3 ou 5 minutos. O leitor escolhe o tempo do entretenimento e retira a história impressa em um papel semelhante ao dos extratos bancários.

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Estão disponíveis contos, poemas e notícias.

Mas qual o objetivo? Os idealizadores defendem que as pessoas não têm paciência para longas leituras em espaços públicos de espera, como aeroportos, por exemplos, e que os quiosques de histórias possibilitam o contato com pequenas narrativas apenas por alguns minutos, o que já seria suficiente para evitar que essas pobres vítimas da tecnologia se isolassem, ao grudarem os olhos em suas telas touchscreen. Defendem que as pequenas narrativas fazem parte da vida e que nos incentivam a buscar e consumir cultura.

Argumento válido? Para Quentin Plepé, fundador da Short Édition é um argumento mais do que válido. Sua plataforma (sim, plataforma) conta com 600 histórias, 141 mil assinantes e 1100 autores que, ironicamente, usam os smartphones e tablets para ler e escrever as histórias disponíveis no quiosque. 

Ou seja: em vez de usar o aplicativo que alimenta o quiosque, e ler os pequenos textos no celular, as pessoas são incentivadas a gastar energia e usar papel que será descartado entre 1 e 5 minutos depois da leitura.

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Tudo em nome do incentivo à boa e velha leitura em papel

Deixando de lado a abordagem poética e romântica da iniciativa, parece faltar-lhe um elemento de sustentabilidade, essencial no século XXI. No entanto, o prefeito de Grenoble, do Partido Verde, aplaudiu a ideia. Oito máquinas já estão espalhadas pela cidade e a editora tem planos de expandir a distribuição.

É fato que muitas pessoas ainda querem ignorar que estamos interagindo com outras milhares por meios eletrônicos, dizem que a #Internet nos isola, e a combatem duramente. Também existe a eterna polêmica sobre os livros e textos impressos e os digitais. O conforto da leitura em papel, o cheiro do papel. Ok, são opiniões válidas. Porém, ao analisarmos a invenção francesa, não sei se ela é a salvação dos condenados ao abismo eletrônico.

O que você acha? A ideia tem muitos defensores. Vamos aguardar o rumo das pequenas histórias.

 

Assista ao vídeo (em francês) para ver como tudo funciona na prática.

 

   #Literatura #Curiosidades