Entitulado 'Guia da Gastronomia Popular Alagoana', a segunda edição da obra da jornalista e escritora Nide Lins é apresentada ao público no dia 27 de novembro em evento realizado no Centro de Convenções da capital alagoana.

Roteiros que vão da comida de rua até restaurantes renomados que usam ingredientes típicos locais estão contemplados para oferecer opções aos mais diversos paladares. O guia é tão completo que dá pistas sobre o modo de preparo desses alimentos e tenta expressar ao leitor o sabor que eles têm.

Assinado pela editora Graciliano Ramos, a obra é recheada de imagens de água na boca e histórias de famílias tradicionais alagoanas que foram responsáveis pela criação de algumas da receitas citadas.

Publicidade
Publicidade

A autora conta que a ideia inicial era relatar suas reportagens sobre gastronomia popular em seu blog, quando em 2012, veio o estalo de compilar tudo em formato impresso. "Fiquei muito feliz, porque além de indicar restaurantes e bares dos bairros – muitos deles desconhecidos e esquecidos –, o livro também incentivou os alagoanos a frequentarem os chamados botecos de rua".

Nide conta que os lugares frequentados por ela quando adolescente deixavam memórias marcantes e tinham um certo ar bucólico de comida caseira bem feita e sem nenhuma pressa. As relações entre clientes e comerciantes eram mais estreitas e possibilitavam uma experiência única, quase particular, quando se tratava de frequentar seu restaurante de bairro aos finais de semana. "Os alagoanos apreciam os botecos e os bares localizados no bairro onde moram.

Publicidade

Todo mundo acaba adotando os seus prediletos, gerando uma relação de amizade. Muitos clientes se consideram até família dos proprietários. As pessoas conhecem o dono, as cozinheiras e os garçons, que geralmente são poucos".

E para nenhum estabelecimento ficar de fora, a reedição foi ampliada com iguarias do litoral, agreste e sertão. Lá, o leitor vai ter a oportunidade de conhecer pratos como o sururu no leite de côco, as tradicionais broas de goma, a cabeça de bode preparada no interior do Estado e as famosas fritadas, uma espécie de torta salgada geralmente recheadas com mariscos. Ao todo, são 58 estabelecimentos, formais ou não, que alimentam a cultura regional e de quebra, servem como agente transformador para trabalhadores que antes poderiam não ter uma perspectiva sólida de carreira. "Vale ressaltar que, na gastronomia popular, geralmente os empreendimentos são administrados pelas próprias famílias e, neste caso, não existem serviços cinco estrelas, e sim uma informalidade especial no atendimento.

Publicidade

O lugar é simples, a cadeira é de plástico, a refrigeração vem do ventilador, mas a comida é luxuosa de sabores".

A jornalista não torce o nariz para a chamada alta gastronomia, confessa que aprecia culinárias como a francesa e a oriental; mas defende sobretudo a valorização dos nossos ingredientes, porque mesmo a cozinha moderna precisa às vezes voltar em suas raízes e reinventar receitas que nossas avós faziam. Questão de dar cara nova sem perder a essência dos gostos e aromas que povoaram muitas infâncias. O critério no final das contas é sempre o mesmo: comida bem temperada. Aquela com ar de festa familiar preparada quase que em ritual para ser apreciada em ocasiões corriqueiras. Nesse caso, à beira do Rio São Francisco. #Culinária #Curiosidades #Alimentação Saudável