Até mesmo entre os fãs do Pearl Jam, poucos sabem que muita água passou por debaixo da ponte antes que o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament se juntassem a outro guitarrista, Mike McCready, e conhecessem Eddie Vedder, através do baterista Jack Irons, um dos fundadores do Red Hot Chili Peppers.

O ponto de partida para a árvore genealógica da banda que se apresenta nesta sexta-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte, se confunde com o surgimento do próprio grunge, em Seattle (EUA). Ament foi um dos criadores do Green River, grupo que estabeleceu as bases para o subgênero musical que ganhou corpo na cena independente da cidade.

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O termo grunge – que quer dizer “sujo” ou “sujeira” – foi usado pela primeira vez em um artigo da revista britânica New Musical Express (NME), de 1978, para descrever a sonoridade criada pelo vocalista e guitarrista Mark Arm, que só fundaria o Green River cinco anos depois. Gossard se juntou à banda para que Arm pudesse se dedicar exclusivamente ao vocal e participou do único disco do grupo, “Rehab Doll”, lançado em junho de 1988 pelo selo Sub Pop – o mesmo que lançaria o Nirvana, em novembro daquele ano.

Com o fim do Green River, Arm e o outro guitarrista da banda, Steve Turner, criaram o Mudhoney, enquanto Gossard e Ament partiram para uma jornada que dura até hoje. “Seattle era uma cidade em desenvolvimento naquela época e a cena musical era insipiente. Não pensávamos em turnês e tudo que desejávamos era gravar um disco pela Sub Pop”, lembra Gossard.

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No início de 1989, a dupla já estava em outra, agora ao lado do vocalista Andrew Wood – uma das figuras mais emblemáticas do som de Seattle – e outros dois músicos, com o Mother Love Bone. O grupo era a grande promessa comercial do grunge e foi o primeiro a assinar com uma grande gravadora, a PolyGram – através de sua subsidiária Stardog.

Depois de lançar um EP muito bem recebido, Jeff Ament e Stone Gossard viram o sonho do estrelato com o Mother Love Bone ruir com a morte prematura, por overdose de heroína, de Wood. Gravado entre setembro e novembro de 1989, o primeiro e único LP da banda, “Apple”, chegou às lojas em julho de 1990, exatos quatro meses depois do vocalista morrer, aos 24 anos.

Andrew era um cara muito divertido e é um dos letristas que mais admiro, dentre todos que conheço”, relembra Gossard. “E se pudesse ter sido outra pessoa, acho que escolheria Freddie Mercury, mas na época foi mal interpretado e o próprio Mother Love Bone, hoje, é superestimado. Não éramos tão bons, ao vivo, quanto imaginam por aí”, conclui.

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Foi um duro golpe para dupla do Pearl Jam, que só voltou a se reunir algum tempo depois, quando Mike McCready encorajou Gossard – ele e McCready vinham praticando informalmente – a se reaproximar de Ament. A dupla, então, virou um trio e, juntos, eles gravaram uma demo tape que chegou às mãos de Eddie Vedder, em San Diego, enviada por Jack Irons. Vedder que ocupava o posto de vocalista do Bad Radio, desde 1988, não perdeu a oportunidade.

Escreveu letras para as quatro músicas daquela fita K7, entre elas, "Alive" e "Once", acrescentou sua voz à trilha e, em breve, estaria em Seattle para o projeto “Temple Of The Dog”, um tributo a Andrew Wood capitaneado por Chris Cornell, do Soundgarden. O disco homônimo foi gravado em novembro e dezembro de 1990, com Vedder participando de três faixas. “Eu gostava de ficar sozinho, sabia que podia ir mais fundo, bater no fundo de mim mesmo antes de atingir um milhão de pessoas”, conta Vedder.

Três meses depois, entre o final de março e durante todo o mês de abril de 1991, ele produziria, ao lado de Ament, Gossard, McCready e do baterista Dave Krusen, o álbum “Ten”, considerado até hoje a obra-prima do Pearl Jam. #Entretenimento #História #Música