A cada ano, novos artistas da #Música popular alcançam o sucesso no Brasil conquistando milhares de fãs país afora. Em 2015, dois cantores do Nordeste vêm “fazendo a cabeça” da garotada, Pablo e Wesley Safadão. Como sempre ocorre em terras tupiniquins, sempre quando artistas populares fazem sucesso uma dita elite cultural “torce o nariz”.

Para abordar esta e outras questões relacionadas a música popular no país, a Blasting News Brasil procurou o jornalista e crítico musical Rodrigo Leone. Confira a #entrevista:

Blasting News Brasil: Rodrigo, porque, afinal, a elite cultural no Brasil se incomoda tanto com o que é sucesso popular?

Rodrigo Leone: Esta é uma questão bastante complicada e polêmica.

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Várias hipóteses podem tentar explicar este conflito. A elite cultural é composta por intelectuais que valorizam aspectos como a inteligência e a arte, como ela é concebida pelas pessoas desse meio, algo belo e sofisticado. A música popular não se prende a este tipo de conceito, sendo mais livre e ousada. Daí nasce o conflito, que, para mim, nunca terá solução. Já ouviu a expressão “Cada macaco no seu galho?”, é bem por aí.

BNB: Mas existe algo em relação ao sucesso que também incomoda o “intelectual”, você não acha?

RL: Sim, acho. O sucesso, sobretudo, quando ele é midiático, ou seja, quando está na TV, quase sempre criticada pela intelectualidade, ou nas rádios populares, que funcionam no sistema do “jabá”, não é bem visto pelas pessoas que dizem consumir uma arte “séria” e “de qualidade”.

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Além disso, há um incomodo por parte destas pessoas em gostar de algo que é consumido por gente vista por elas como “alienadas” e “burras”. Só porque é popular quer dizer que não tem qualidade? O cara é burro porque ele ouve Safadão e não Morrissey? A menina é inteligente porque ler Rimbaud e não os livros de “Crepúsculo”? Eis, mais uma vez, o conflito.

BNB: Você é um jornalista que faz críticas sobre música. No entanto, você é uma pessoa como qualquer outra e também tem as suas preferências musicais. Como você equilibra isso?  

RL: No início é difícil. Porém, desde quando decidir ser jornalista e escrever sobre música procurei buscar um critério que me permitisse ser justo em meu trabalho. Como você disse, tenho minhas preferências sim, mas o gosto pessoal não pode ditar a crítica. É nisso que acredito e procuro seguir. Quando tenho que escrever sobre uma banda ou músico que não gosto musicalmente, procuro me prender aos aspectos técnicos para criticar. Além disso, procuro avaliar o local de onde vem a música e o público para o qual ela é destinada. Enfim, acredito que é preciso ter responsabilidade quando se critica o trabalho dos outros. A imagem do crítico suprassumo, que dita sob critério de gosto pessoal o que é bom ou ruim, nunca fez sentido para mim.