A maior prova de que a parceria entre Marvel e Netflix em Demolidor não foi sucesso de um título só é a brilhante recém-lançada série Jessica Jones. As companhias não só repetiram a fórmula do sucesso como talvez tenham feito ainda melhor.

A primeira e – de longe – a melhor razão para assistir Jessica Jones (Krysten Ritter) é a personalidade forte da heroína, aliás, heroína é exatamente o que ela não quer ser, ainda que ela conte com super força e a capacidade de “salto controlado”. Mal-humorada, temperamental, antissocial, desbocada e ainda por cima alcoólatra, a personagem quebra paradigmas ao apresentar algo completamente contrário do que o público está habituado.

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Levando uma vida difícil, com pouco dinheiro e traumas pessoais, a personagem tem que vencer a própria batalha antes de salvar os outros. Ela não vem acompanhada de todas aquelas nobres virtudes que os outros super-heróis tendem a apresentar, não que ela tenha um caráter duvidoso, ela demonstra vontade de auxiliar o próximo, entretanto, seus métodos podem ser bem questionáveis. E é justamente o fato de ela fugir do biótipo de super-heroína que se torna tão incrível. Ela traz mais verdade e humanidade à série.

A segunda razão é o persuasivo vilão Killgrave e sua trama. Interpretado pelo ótimo David Tennant, o personagem é sádico, inteligente e muito irônico. Também dotado de habilidades especiais, o antagonista é capaz de controlar a mente das pessoas, gerando mistério e pânico ao seu redor.

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Faz o expectador compartilhar da sensação de insegurança e perigo constante. Ao longo dos episódios, são exploradas as possibilidades em volta desse poder. O seriado soube tirar vantagem das capacidades sobre-humanas do vilão afim de gerar cenas com uma dose tripla de tensão e reviravoltas surpreendentes, sobretudo quando não é possível adivinhar quem está ou não sob o domínio do Killgrave. Sua relação com Jessica é pra lá de doentia, aterrorizante.

Luke Cage é a terceira razão. Ele tem a pele impenetrável, super força e é incansável. O personagem é misterioso, durão – perdendo apenas para Jessica – e quando está ao lado da protagonista a dupla é bem barra-pesada, e fofa, não? Luke vai ganhar uma série solo também pela Netflix em parceria com a Marvel em 2016, entretanto o herói já teve uma ótima inserção neste universo.

A quarta razão é mais ampla.Se trata da construção dos personagens que envolvem a trama. Trish Walker e Will Simpson são de uma ótima narrativa paralela a da protagonista, ajudando Jessica contra Killgrave.

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O texto dos episódios foi bastante cauteloso ao desenvolver esses dois personagens e suas motivações. Caminhando para o final, a temporada começa a construir os alter egos dos dois, que nas HQ’s assumem a identidade de Bazuca (Simpson) e Gata do Inferno (Walker).

A quinta razão vem dos coadjuvantes, que simplesmente não precisam dos personagens centrais para existirem. Louco, não? Mas o roteiro de Jessica Jones foi extremamente bem escrito e deu vida própria a todos os personagens. Um ótimo exemplo de coadjuvante é Jeri Hogarth, que no seriado é uma advogada – interpretada por Carrie-Anne Moss – considerada uma das melhores da cidade de Nova York, com questões pessoais para resolver, como seu complicado processo de divórcio com sua ex-esposa. Nos quadrinhos, Jeri era um homem, e no seriado sofreu essa adaptação e trouxe a presença feminina com mais força. #Entretenimento #Seriados #Cinema