Quando o diretor Quentin Tarantino anuncia lançamento de mais um #Filme de sua cultuada carreira, fãs e críticos de #Cinema já ficam alarmados. É previsível que seus clichês estéticos, lutas sanguinárias, referências retrô e trilha sonora bem amarrada estejam presentes. Entretanto, se olharmos por outro ângulo, o filme também pode ser uma caixa de surpresa pelo simples fato de que o diretor sempre se reinventa dentro de sua própria trajetória podendo utilizar ou não dos seus artifícios na fórmula.

Os Oito Odiados (The Hateful Eight), oitavo filme de Quentin, estreou na última quinta (7) nos cinemas brasileiros e mostra a segunda investida de Tarantino no gênero western (o primeiro foi Django Livre, 2012).

Publicidade
Publicidade

A trama se passa logo após a Guerra Civil dos Estados Unidos, encerrada em 1865, na qual o Norte e o Sul disputavam determinar a abolição da escravidão no país. O enredo se desenrola no estado de Wyoming, onde oito pessoas de caráter duvidoso se reúnem em um local em busca de abrigo durante uma nevasca – dentro desse contexto, ninguém sabe em quem confiar.

O filme é estrelado por Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Demián Bichir, Michael Madsen e Bruce Dern, dentre outros e em seus primeiros momentos traça planos longos, pouca ação e diálogos pesados.

Quando os indivíduos entram no abrigo, o tom escurecido e amadeirado vibra em contraste com o branco cristalino do início. Quando os atores entram ou saem do ambiente fechado, ou ficam em segundo plano, montam um jogo de cena que caracteriza uma montagem teatral – parte fundamental das falas e trejeitos, que estabelecem o tom do preconceito racial, tão direto quanto irônico.

Publicidade

Entretanto, essa primeira parte arrastada é um ponto de equilíbrio estratégico para o que vem a seguir. É o gatilho para a apoteose da ação. O que se pode ver é um coreográfico balé de balas mergulhado no sarcasmo da violência gratuita.

O oitavo filme de Tarantino tem qualidade para ser visto no cinema. É produto com marca de autor, propõe discussão para além da tela. É uma experiência com pouco mais de três horas de duração, que – principalmente para quem acompanha suas obras cinematográficas - revive seus clichês, mas também se envolve em sua narrativa estilizada que remonta toda sua trajetória no cinema, como se Tarantino estivesse frequentado sua própria escola. #Entretenimento