Quando os Rolling Stones aterrissarem no Brasil, para a primeira das quatro apresentações que farão no país entre os dias 20 de fevereiro e 2 de março, apenas três membros da formação clássica da banda estarão no palco: o vocalista Mick Jagger, o guitarrista Keith Richards e o baterista Charlie Watts. O idealizador do grupo, o guitarrista Brian Jones, morreu em julho de 1969, e seu baixista original, Bill Wyman, que formou a “cozinha” ao lado de Watts durante mais de três décadas, serão as ausências das noites. Mais do que um dos responsáveis pela sonoridade única dos Stones e coautor de clássicos como “Paint It, Black”, “Gimme Shelter’”, “Jumping Jack Flash” e “Miss You”, Wyman também era o mais velho da turma – ele completa 80 anos em outubro – e, acredite, o mais mulherengo.

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O que poucos sabem é que ele poderia estar lá sim, no palco, para pelo menos um dos ‘sets’ da apresentação. Tido como caladão, o baixista soltou o verbo em uma entrevista para lá de sincera ao jornal britânico “The Times”, revelando porque não emplacou na turnê “50 & Counting Tour”, de 2012, quando tudo caminhava para uma reunião dos Rolling Stones. “Tudo começou nos anos 60, quando nosso agente, Andrew Loog Oldham, reconheceu Jagger e Richards como a força criativa do grupo*”, lembra o músico.

Daí para frente, segundo ele, a dupla passou a excluir os demais das composições e, mesmo quando recorriam a trechos feitos pelos outros, não lhes davam o devido crédito. “Na época, perguntaram para mim e Brian se tínhamos alguma coisa e mostramos o ‘riff’ de ‘Jumping Jack Flash’. Eles o usaram, mas não nos deram crédito e, em pouco tempo, isso se tornou a regra e algo muito frustrante*”.

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Wyman conta que, mesmo após a morte de Jones e a entrada de Mick Taylor, as coisas não melhoraram. “Mick - Taylor - não podia dar palpites e, mesmo quando eles gostavam de algo que ele compunha, não lhe davam crédito. Foi assim durante a produção de ‘Sticky Fingers’. Ele não suportou aquilo e saiu da banda*”, lembra o baixista. “Eu engoli meu orgulho e continuei*”.

O músico deixou os Rolling Stones em 1993, decisão de que não se arrepende. “Os últimos 20 anos da minha vida foram muito bons, produtivos*”, avalia Wyman. “Quando nos reencontramos em 2012, Keith me presenteou com uma echarpe com caveiras e eu o convidei para vir jantar em minha casa. Mick também estava mais amigável e Keith me convenceu que, depois daquela apresentação comemorativa dos 50 anos do grupo, eu estaria envolvido no projeto: ‘é bom ter você de volta’, disse enquanto me abraçava*”.

Mas a dupla voltou a decepcionar Wyman. “Tudo começou quando me disseram que eu faria apenas dois números em um dos shows em Londres. Fiquei surpreso e sugeri tocar as cinco últimas músicas, com o Darryl – Jones, baixista que o substituiu – voltando para o bis*”, conta ele.

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Na hora, nem pude ajustar o amplificador com minhas preferências. Não ensaiamos, porque Mick tinha que passar o som com Eric Clapton e Jeff Beck, que também foram convidados*”.

E o pior ainda estava por vir: “Subi no palco e toquei. Depois, desci e me juntei à minha família. Foi a senha para Mick dizer para toda a plateia, enquanto Darryl reassumia o baixo: ‘Ele – Darryl – não é fantástico?!’*”. Para Wyman, o comportamento dos ex-colegas tem uma explicação até simples. “Eles não queriam que eu deixasse os Rolling Stones e, sinceramente, acho que fizeram isso para me punir, mesmo depois de tantos anos. Mas isso não me afetou, afinal, tenho coisas melhores para fazer*”.

*Em tradução livre #Entretenimento #Música